Ainda que as pesquisas de opinião sejam um importante instrumento de trabalho para empresas e partidos, elas direcionam e alteram rumos, por isso são consideradas polêmicas e muito criticadas por eleitores que consideram que elas transformam e vendem um produto "candidato" que nem sempre corresponde à realidade.
As atuais pesquisas que apontam empate técnico entre os pré-candidatos senador Delcídio do Amaral (PT), e o ex-prefeito de Campo Grande, Nelson Trad Filho (PMDB), realizadas apenas na Capital, remete às pesquisas de opinião divulgadas durante a campanha para a prefeitura em 2012, onde concorriam com maiores oportunidades, Alcides Bernal, Edson Giroto, Reinaldo Azambuja e Vander Loubet.
Naquela ocasião, o Instituto de Pesquisa Mato Grosso do Sul (IPEMS) dava como líquida e certa a vitória de Edson Giroto (PMDB) tanto nas pesquisas divulgadas no primeiro turno, quanto no segundo. A mídia publicava o resultado das pesquisas do Ipems em 24 de setembro de 2012, para prefeito em Campo Grande e mostrava o candidato do PMDB, Edson Giroto, líder na preferência dos eleitores, com 35,8% das intenções de votos contra 32,2% de Alcides Bernal (PP), Reinaldo Azambuja (PSDB) 12,1% e Vander Loubet (PT 6,25%.
O Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) apontava em sua pesquisa que o candidato Edson Giroto apresentava um índice de 37%, seguido por Alcides Bernal, com 30%, Valder Loubet (PT) 7% e Reinaldo Azambuja (PSDB) 5%.
Um terceiro instituto, o Datamax, mostrava Alcides Bernal com 39% e Edson Giroto com 26,4% e que a eleição seria decidida entre os dois em segundo turno. Na sequência aparecia o candidato do PSDB, Reinaldo Azambuja, com 13%.
Importante salientar que as pesquisas, em suas diferenças, eram apresentadas por órgãos de imprensa contrários ou favoráveis a este ou aquele candidato. Um dos institutos chegou a apresentar uma metodologia inusitada. Substituiu a tradicional pergunta sobre qual o candidato favorito por outra que relacionava o candidato ao seu padrinho político. Dos seis nomes que concorriam , alguns não tinham um sequer apoiador, enquanto outros contavam com dois pesos pesados da política como seus padrinhos. A relação ameaçava a credibilidade do levantamento por determinar pesos desiguais aos candidatos.
Nesta guerra de dados "precisos" para dar peso às manchetes, algumas mídias deram destaque para a pesquisa de rejeição, mostrando que Giroto era o que sofria maior rejeição do eleitor, 43,3%, contra 15% dos que não votariam em Bernal.
Resultado Final - O real indicador da vontade popular em primeiro turno apontou como resultado: Alcides Bernal (PP), 40,18%; Edson Giroto (PMDB mais 16 partidos coligados) 27,99%; Reinaldo Azambuja (PSDB, PPS, PHS, PMN, PSDB), 25,90% e Vander Loubet (PT), 4,87.
Muito distante de todas as projeções, mas confirmando um segundo turno, que teve como resultado: Bernal com 62,55% e Giroto com 37,45.
O que as pesquisas não apontaram, e cujas metodologias não puderam alcançar é um detalhe que diferencia os Estados, como Mato Grosso do Sul, que ainda resvalam no coronelismo: Se os votos forem realmente declarados, as regiões que não apontem o resultado conforme o expresso desejo do mandante, podem sofrer represálias. O contrário pode resultar em benefícios.
Eleições 2014 - Novas eleições, novas guerras, novos apoiadores ou opositores. Neste temporada de pesquisas pré-eleitorais, a luta se trava entre os dois já colocados pré-candidatos Delcídio do Amaral (PT) e Nelson Trad Filho (PMDB), e as pesquisas com abordagem factual (com utilização de fatos e não de opiniões) começam a ganhar capas das diversas mídias, expressando mais os desejos e buscando satisfazer os prováveis acordos do que apontando as reais tendências do eleitorado.
Aqueles que sempre ordenaram seu eleitorado, como se fossem cativos, ainda entendem que a divulgação de números, temporários e imprecisos, possam direcionar ou alterar posições já consolidadas. A cada nova pesquisa divulgada, uma série de comentários, ataques ou apoios ganham as redes sociais, o que termina por ser benéfico porque gera a discussão política.
Casos - Os sul-mato-grossenses talvez não se permitam pesquisar desde a histórica campanha para a prefeitura da Capital, em 1996 quando o deputado federal André Puccinelli (PMDB) e o deputado estadual Zeca do PT, eram considerados azarões(somadas as intenções de voto de ambos no início da corrida eleitoral, não atingia 8%) na disputa contra o senador Levy Dias (PPB), e o deputado federal Nelson Trad (PTB).
Realizado o primeiro turno, o candidato Zeca do PT saiu na frente com 101.657 votos contra 81.217 votos dados a Puccinelli. Contudo, a surpresa veio no segundo turno. Zeca alcançou 130.713 votos e André, 131.124. A diferença da derrota petista foi de apenas 411 votos
Mais recentemente, nas eleições para o Senado em 2002, Delcídio do Amaral (PT) saiu em campanha quando as pesquisas lhe dava pouco mais de 1% contra o ex-governador Pedro Pedrossian, então apoiado por André Puccinelli. Delcídio venceu com vantagem de 4% e hoje, cumprindo seu segundo mandato como senador, é candidato ao governo do Estado.






