Quem se desloca de carro por São Paulo durante o verão sabe que a vida pode se tornar um caos em dias chuvosos. Situações de mau tempo são as que mais exigem atenção ao volante.
Foram 21 dias com chuva em janeiro, segundo o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), e há previsão de mais água em fevereiro.
"É preciso estar atento à redução de velocidade, ao uso de faróis e manter mais distância do carro à frente", diz Gerson Burin coordenador técnico do Cesvi Brasil.
A frenagem é um dos principais problemas. Segundo o especialista, em veículos sem ABS (sistema que evita que as rodas travem), o recomendado é que se dose a pressão no pedal –aliviando a força se houver sinal de travamento– para evitar que os pneus deslizem sobre o asfalto molhado, sem que o motorista consiga controlar o carro.
Se houver ABS, a frenagem deve ser feita com força máxima e constante.
O publicitário Gustavo Ricci, 36, prefere parar em um posto de combustível ou em um lugar seguro quando a chuva "aperta" e a visibilidade fica comprometida. A prática surgiu depois que ele passou por um susto ao rodar em uma pista molhada.
"Eu estava dentro do limite da via, mas a uma velocidade alta (...), por sorte não vinha carro atrás de mim. Passei a ser mais prudente quando chove", afirma Ricci.
ÁGUA NA CABINE
Possíveis estragos podem aparecer mesmo depois de uma chuva fina. As infiltrações são os problemas mais comuns, fáceis de solucionar.
A água invade o interior do veículo pelos vidros, guarnições das portas, teto solar, borda do para-brisa e lanternas. O serviço por custar entre R$ 80 e R$ 400, dependendo da parte que foi afetada.
"Recebo muitos carros novos com pontos de infiltração por falhas na fabricação", diz o proprietário da Auto Vidros VR, José Valderedo Soares.
O procedimento para descobrir por onde a chuva consegue entrar inclui um jato forte de água jogado em partes da carroceria.
ENCHENTES
Para cruzar trechos com alagamentos, a marcha deve ser baixa para o motor girar por volta de 2.500 a 3.000 rpm [rotações por minuto]. "Com isso, o fluxo da descarga soprará a água que circunda o escapamento sem obstruir a vazão", explica o engenheiro e conselheiro da SAE Brasil, Francisco Satkunas.
Se a água estiver acima da metade das rodas, melhor não arriscar. "O motor a combustão do carro funciona aspirando ar, mas, no caso de uma inundação, irá aspirar água. Vai estourar, sendo preciso trocar sua parte principal, que é o bloco, onde há a numeração do componente. É um tramite bem complexo e caro", explica o mecânico Pedro Luiz Scopino.
Recentemente, Scopino trocou o motor de um sedã Toyota Corolla 2011 atingido por uma enchente. O orçamento ficou em R$ 7.800, e o carro ficou parado por 60 dias até que um bloco original fosse entregue.
Por esse motivo, se ao chegar a um local e o veículo estiver submerso ou flutuando, jamais se deve dar a partida.
"O recomendado é rebocar o veículo e levá-lo direto para um mecânico, que pode remover a água do sistema, trocar os filtros e substituir o óleo, que pode ter sido contaminado", afirma Satkunas.
NA CHUVA
> Ligue o farol baixo para ser visto por outros motoristas e pedestres
> Acione o ar-condicionado ou o ventilador para que o para-brisa não embace
> Diminua a velocidade e mantenha maior distância do veículo da frente -o recomendado são cerca de
10 metros- para poder frear com segurança
> Em caso de aquaplanagem (situação em que as rodas perdem o contato com o solo e passam a "surfar" na lâmina de água), não movimente bruscamente o volante. É preciso sair da área com acúmulo de água para corrigir a trajetória
> Considere parar o carro quando a tempestade for forte demais e a visibilidade estiver comprometida. Use o acostamento ou busque um lugar seguro,
como postos de combustível

Quando a chuva passar
> A água pode causar alguns danos ao veículo.
O principal deles é a infiltração, que pode acontecer pelas portas, vidros, guarnições, teto solar e lanternas
> Não espere que uma nova tempestade chegue para procurar um especialista. Uma infiltração não resolvida pode gerar ferrugem, corrosão e mofo no assoalho do carro.

Em caso de alagamento
> Evite circular com a água acima da metade das rodas
> Ao passar por um trecho alagado a marcha deve ser baixa (em geral, primeira), com ritmo contínuo para o motor girar por volta de 2.500 a 3.000 rpm (rotações por minuto). Com isso, o fluxo da descarga soprará a água que circunda o escapamento sem obstruir a vazão
> Se o motor apagar, deve-se dar a partida normalmente -desde que a água esteja, no máximo, no meio da roda.

Parado na enchente
> Se o veículo ficou num alagamento até a altura da linha do vidro da porta ou acima, isso indica que a água deve ter entrado no motor, no habitáculo e no porta-malas
> Nesse caso, é preciso remover tapeçaria, bancos e painéis de portas para secagem dos tecidos e equipamentos elétricos como levantadores dos vidros elétricos e travas
> Sob o capô: deve-se inspecionar alternador, limpadores de para-brisa, embreagem do compressor de ar-condicionado, ventoinhas do radiador, buzinas, alarmes... Todos os elementos elétricos que devem estar secos e funcionais
> Uma vez em contato com água barrenta, carros com forração de tecido podem requerer a troca das capas. A espuma poderá ser reaproveitada após a secagem. No caso de assentos de couro ou impermeabilizados, a recuperação pode ser mais fácil
> Se a centralina (comando eletrônico do carro) ficou submersa, será necessário fazer a limpeza dos contatos. Esse componente, em geral, é selado e à prova d'água
> A água pode entrar também nos faróis e lanternas, que terão que ser limpos ou, em último caso, trocados
> Se o carro estiver submerso ou flutuando, jamais tente dar a partida. A água na câmara de combustão poderá provocar uma quebra irreversível pelo calço hidráulico, quando a água não se comprime e age como uma trava mecânica podendo quebrar bielas e virabrequim
> Reboque o veículo até um mecânico de confiança e remova detritos que porventura tenham se enganchado na suspensão ou nas mangueiras de freios, entre outros. No caso do enfrentamento de lama, deve-se lavar a parte de baixo do automóvel apenas com um jato forte de água
> Dependendo da extensão dos danos (sem perda total), o custo de recuperação pode ficar entre R$ 2.000 e R$ 5.000.









