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quinta, 29 de outubro de 2020
Geral

Produtor assassinado na Bahia pediu ajuda ao Ministro da Justiça em outubro

Conflitos Rurais

14 fevereiro 2014 - 17h16Por CNA

Onze meses depois de a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) emitir nota oficial registrando profundo pesar pelo brutal assassinato do produtor rural Arnaldo Alves Ferreira, por um grupo de indígenas em Douradina (MS), as mortes no campo multiplicaram-se e a situação do conflito em várias regiões agravou-se. Existem hoje, no Brasil, 867 propriedades rurais invadidas.

 

Só no Sul da Bahia, são 50 propriedades invadidas, segundo registros da própria Fundação Nacional do Índio. E a CNA, que um ano atrás já cobrava uma ação “urgente e efetiva” das autoridades competentes para permitir que o campo possa produzir em paz, teve de assistir esta semana mais uma morte com característica de execução.

 

O agricultor Juracy José dos Santos Santana foi recebido em audiência pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em outubro passado, para denunciar a gravidade da situação que tem vitimado brasileiros índios e não índios, e pedir ação para conter a violência. Quatro meses depois, foi a mulher de Juracy – Elisângela Martins de Oliveira – quem testemunhou, no início desta semana, o assassinato do marido dentro de sua própria casa, no município baiano de Una.

 

Juracy era um assentado da reforma agrária no Projeto de Assentamento Ypiranga, que foi considerado Terra Indígena pela Funai. Em depoimento prestado na Delegacia de Política Territorial de Una, na terça-feira (11/02), Elisângela declarou que a área “vem sendo questionada pela tribo Tupinambá de Olivença, gerando conflito entre assentados e índios”.

 

Segundo ela, Juracy vinha sendo ameaçado por ser o presidente do Assentamento Ypiranga e chegou a comunicar oficialmente as ameaças à Polícia Federal. O conflito agravou-se porque 24 das 50 propriedades invadidas na região tiveram ordem judicial para reintegração de posse, mas apenas 16 foram cumpridas. A hesitação diante do confronto aberto dos indígenas com policiais e assentados acabou ampliando o conflito.

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