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Decisão que suspende leilão da resistência é arbitrária, afirmam produtores

Conflitos indígenas

4 DEZ 2013
Aline Oliveira
20h40min
Coletiva na Famasul. Foto: Vanessa Ricarte

Os representantes da Famasul, Acrissul, produtores rurais e os deputados estaduais Zé Teixeira e Mara Caseiro estiveram reunidos na tarde desta quarta-feira (4), para comentar a liminar concedida pela juíza da 2ª Vara da Justiça Federal de Campo Grande, Janete Lima Miguel que suspendeu a realização do Leilão da Resistência, marcado para acontecer no próximo sábado (7), na Acrissul.


Para o diretor-presidente da Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Eduardo Riedel não existe possibilidade de cancelar o movimento, já que se isso acontecer será o fim da democracia no país. "Nós produtores iremos manter o evento de sábado, visto que é uma manifestação legítima. Se impedirem o leilão está comprovado o cerceamento do direito democrático", alegou.


Já o presidente da Acrissul (Associação de Criadores de Mato grosso do Sul), Francisco Maia lembrou que o objetivo do movimento é reunir a classe , conscientizar e informar os produtores e não confabular estratégias de luta armada como vem sendo divulgado. "Nosso objetivo é reunir os produtores e convidados, entre eles, a bancada federal e estadual política do Estado para informar os rumos das negociações. Importante reforçar que nunca entramos na justica contra os indígenas, e eles quando recebiam as ordens judiciais rasgavam na nossa frente. Agora, eles vão até o judiciário exigir suspensão do leilão, é uma situação no mínimo contraditória", informou.


O advogado Newley Amarilla, representante de vários produtores rurais comentou a decisão da Justiça Federal. "É muito preocupante esta decisão, consideramos no mínimo arbitrária, já que a juíza afirmou que se baseou nas notícias veiculadas na mídia, de que nós produtores estariamos realizando o leilão para criar milícias. Agora eu pergunto, como uma decisão importante como esta, que envolve todo um grupo produtivo pode ser tomada com base em declarações feitas em jornal? Mostra grande parcialidade, já que quando fomos pedir acesso ao texto da decisão, nos foi informado que somente por meio de procuração e a imprensa teve acesso antes do que os principais interessados, os produtores rurais", ressaltou.


Sobre o leilão da resistência - O movimento dos produtores rurais de MS programou para o próximo sábado (7), a realização do Leilão da Resistência, para levantar recursos que garantirão ao grupo, a manutenção de ações no período que antecede a definição da demarcação de terras invadidas no Estado.


Na última terça-feira (3), representantes dos conselhos Aty Guassu, Guarany Kaiuwá e Terenas solicitaram a Justiça Federal, a suspensão do leilão, alegando que os produtores rurais pretendiam arrecadar recursos que seriam utilizados na contratação de seguranças das propriedades que ainda não foram invadidas ou para retomar áreas que já estão em poder dos indígenas.


Segundo a advogada e produtora rural, Luana Ruiz, até o final da tarde de hoje, as entidades citadas na denúncia, Acrissul e Famasul não receberam a intimação sobre a decisão da liminar e por isso, o grupo dará continuidade a programação do evento. "Até o momento não recebemos nenhuma intimação formal, então quando recebermos o documento analisaremos e poderemos informar como proceder. Queremos estudar e entender melhor quais foram as alegações feitas para se chegar a esta decisão", pontuou.


Conforme informações da Acrissul, até o momento foram doados 800 cabeças de gado que serão leiloadas, além de animais de pequeno porte e sacas de grãos diversos. "Acredito que até o dia do leilão teremos mil cabeças", informou Maia.

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