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'Quero justiça e segurança para trabalhar', diz médica agredida por marido de paciente

Obstetra Scilla Lazzarotto foi ameaçada e agredida por marido de paciente que estava em trabalho de parto

01 junho 2020 - 08h26Por Nathalia Pelzl

A médica Scilla Lazzarotto, 46 anos, denunciou o marido de uma paciente por agressão, enquanto realizava um parto no Hospital Escola da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), no Sul do estado.

O caso aconteceu na sexta-feira (29), mas a Polícia Civil informou que a investigação seguirá com a Delegacia da Mulher, nesta segunda (1º). O homem fugiu do local e não havia sido localizado.

Ao G1, ela contou que estava fazendo o atendimento da mulher quando foi surpreendida com chutes e socos."Eu estou em estado de choque. O que mais amo é obstetrícia", diz Scilla. "Só isso que quero: justiça e segurança pra trabalhar."

A obstetra e ginecologista relata que a paciente internou durante a madrugada, entre 2h30 e 3h, e a expectativa era fazer um parto normal. Quando ela e o colega que estavam no plantão chegaram, por volta das 7h, havia ainda uma cesárea e outros três partos normais programados.

Ainda ao G1, ela disse que o médico que estava trabalhando com ela, fez o primeiro atendimento à gestante, e o homem já havia se demonstrado agressivo.

O outro médico foi a uma sala realizar a cesariana, enquanto Scilla permaneceu examinando as demais mulheres. Como não havia urgência, conforme a obstetra, ela deixou uma colega monitorando as pacientes e foi repassar os casos com os médicos residentes, já que ela é a preceptora do setor.

"Tenho 22 anos de obstetrícia, já fiz mais de 10 mil partos. Pedi calma para ele, falei que o filho estava para nascer, que dava para ver os cabelinhos. Só esperava que descesse mais um pouco", descreve.

Scilla afirma que colocou a mãe em posição de quatro apoios e ficou monitorando o coração do bebê. Como ela reclamava de dores, trocou-a de posição, e o marido sentou-se atrás. A médica disse que poderiam esperar por até 3h, mas que em 1h reexaminaria a paciente e realizaria o parto.

"Começou a me chamar de nomes, que eu era uma torturadora, que tinha deixado ela sofrer. Eu disse que tinha que priorizar o atendimento à mulher, que ele não poderia gritar daquela forma. Quando estava saindo da sala, ele botou a mão na capanga e disse: 'Eu tenho um 38 e um 42, vou te dar um tiro e vou te matar. Tu não vai sair viva daqui'", diz Scilla.

Ela conta que ficou apavorada, mas ignorou a ameaça e deixou o local para providenciar o atendimento à esposa e ao filho dele.

"Quando tava saindo, ele deu uma voadora nas costas. Voei 1m em cima de uma pia de ferro, cortei o braço, ele pegou meus cabelos e deu uns cinco socos na nuca, que desmaiei. Bati com a cabeça no marco da porta", descreve Scilla.

De acordo com a médica, outro colega assumiu o parto, e tanto a mãe como a criança estão bem. O homem não foi localizado.

"Estou com medo. Enquanto não for preso, não vou sair de casa", relata. "Nunca tinha passado por uma ameaça. A gente trabalha com vidas. Mas nunca levei um tapa de uma paciente, de ninguém, nada. Ninguém tem o direito de bater em um profissional que estava em serviço. E ele ainda conseguiu bater em uma mulher. Estou chocada", acrescenta.

O Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) condenou a agressão e promete tomar um conjunto de ações para buscar a punição ao agressor.

"Qualquer ato de violência é injustificado e qualquer violência contra profissionais de saúde é um ataque à sociedade. Denunciaremos isso, amplamente. Mas também precisamos agir para punir e prevenir", afirma, em nota assinada pelo presidente Marcelo Marsillac Matias e pelo diretor do Interior, Fernando Uberti Machado. (Leia a nota na íntegra no fim desta matéria)

Já o Hospital Escola afirma que prestou o atendimento à funcionária e que proibiu a entrada do homem nas dependências do hospital. "Registramos nosso total apoio e solidariedade à médica agredida e a toda equipe. Estamos colaborando com as autoridades policiais e judiciárias", disse a UFPel, em nota.

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