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Repórter e fotógrafo da Veja são detidos ao cobrirem morte de miliciano na Bahia

Gravador foi apreendido e depois devolvido aos profissionais

14 fevereiro 2020 - 19h35Por Thiago de Souza

O repórter Hugo Marques e o fotógrafo Cristiano Mariz, da Revista Veja, foram detidos pela Polícia Militar e tiveram equipamentos apreendidos, nesta sexta-feira (14), na cidade de Esplanada, na Bahia. Eles tentavam entrevistar o dono do sítio onde o ex-miliciano, Adriano da Nóbrega, morto pela polícia no domingo dia 9.

Conforme o relato dos profissionais, eles iriam entrevistar o fazendeiro Leandro Abreu Guimarães quando foram cercados por duas viaturas da PM. Mesmo apresentando documentos e credenciais, ambos foram levados à delegacia local.

Hugo e Cristiano, segundo o Metrópoles, disseram que os policiais insistiram em saber como eles conseguiram o endereço do entrevistado.

O gravador de Hugo, no qual estavam registradas entrevistas sobre a operação policial que matou o miliciano – peça-chave em dois episódios investigados pelo Ministério Público (MP), a morte da vereadora Marielle Franco (PSol), em março de 2018, e a suspeita de ''rachadinha'' no gabinete do então deputado estadual e hoje senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) – foi apreendido. Depois que os dois foram interrogados na delegacia, o repórter recuperou o equipamento.

Nesta semana, a revista traz fotos do cadáver do miliciano Adriano da Nóbrega que, alegadamente, corroboram com a defesa dele e da viúva, que aponta execução e “queima de arquivo”. As imagens reforçam a versão de que Adriano foi morto com tiros a curta distância. Oficialmente, a polícia da Bahia, onde ele foi localizado após ter ficado um ano foragido, disse que o miliciano reagiu à ordem de prisão, estava armado e morreu após troca de tiros.

À Veja, a PM informou que eles foram detidos e interrogados como “medida de segurança”, por estarem em frente à residência de uma testemunha-chave do caso. Leandro foi a última pessoa a ver o miliciano com vida.