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quinta, 24 de setembro de 2020
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Ricaço, só que não! Carioca ganha R$ 120 bilhões por engano

Designer recebeu transferência errada da Caixa, se tornando o homem mais rico do Brasil

18 abril 2019 - 08h33Por Da redação/Meia Hora

Um designer teve as contas bloqueadas após receber uma transferência de mais R$ 120 bilhões por engano da Caixa Econômica Federal. A quantia exorbitante colocaria X., que preferiu não ter o nome revelado, como o homem mais rico do Brasil, ocupando a posição de Joseph Safra (R$ 95,3 milhões) do Banco Safra. O erro também o fez amargar prejuízos e transtornos.

X. se deu conta da quantia bilionária no fim de semana. Porém, não pode sequer mexer na conta. "No sábado, eu fui ao supermercado e o meu cartão foi recusado. Abri o aplicativo para ver o que tinha acontecido, ele rodou rodou, rodou e não consegui acessar a conta. Pensei que o sistema estava fora do ar e voltei pra casa sem as compras. Acessei o app novamente e apareceu a quantia de R$ 120 bilhões", lembra.

E qual foi a sensação do 'bilionário' ao ver seu saldo bancário? "Fiquei paralisado, sem reação. Depois fiquei me perguntando de onde tinha vindo todo aquele dinheiro. Me perguntei se não tinha ganhado na loteria", comenta o designer. "Pensei que tinha valido a pena ser um cara legal, não jogar lixo no chão e não ter desejado mal a quase ninguém", brinca.

A euforia, no entanto, não durou muito. O banco identificou a transação fora do normal e bloqueou qualquer movimentação, inclusive o uso de cartões por cerca de cinco dias. O homem, que já estava no cheque especial, diz que o fim de semana não foi fácil. "Fiquei sem dinheiro nenhum, eu estava no vermelho, estava usando o especial e no cartão de crédito. Precisei pedir dinheiro emprestado. Minha sorte foi que tinha comida em casa." O bilionário, então, precisou recorrer ao advogado Raphael Tatagiba, pós-graduado em Direito Privado pela UFF, para liberar a conta e devolver o dinheiro. "E também pelo constrangimento que passei", ressalta X.

De acordo com o advogado, o cliente vai processar a Caixa Econômica Federal pelos danos. "O nosso cliente só tomou conhecimento dos fatos ao tentar passar o seu cartão e ter as suas compras não autorizadas. Isso porque, assim que o crédito bilionário foi efetivado, o banco realizou o bloqueio da conta diante da suspeita de fraude. Além de ficar privado de movimentar a sua conta, ele ainda ficou assustado de seu nome estar envolvido em fraude, ainda mais com toda essa questão de lavagem de dinheiro da operação Lava Jato."

Para Tatagiba, a grave falha na prestação do serviço acarreta indiscutível dano moral, pois gera no consumidor a incerteza sobre a segurança das operações bancárias realizadas. "Assim, tomaremos as medidas judiciais cabíveis para que a CEF repare todos os danos e prejuízos causados, sendo certo tratar-se de responsabilidade objetiva do fornecedor do serviço, na forma do art. 14 do CDC, restando a falha caracterizada como fortuito interno, o que não exime o dever de reparação, nos termos da Súmula 94 do TJRJ."

Segundo o Banco Central, o cálculo, se a quantia depositada fosse de fato de P., ele teria um rendimento mensal de mais de R$ 447 milhões. "Um dia vou contar para os meus netos que já fui o homem o mais rico do Brasil por engano", comenta. Alguma expectativa de ser bilionário de verdade um dia? "Só se eu encontrar uma mina de diamantes perdida", opina X.

Procurada por O DIA, a Caixa Econômica Federal informou que já tinha identificado a anormalidade na última sexta-feira e esclareceu que os clientes só conseguiam visualizar o saldo, sem conseguir realizar movimentações bancárias. A situação também aconteceu com alguns lotéricos, de acordo com o banco, e o problema já foi resolvido.

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