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11/02/2015 11:16

Secretário de Olarte é apontado em esquema de corrupção investigado pelo Gaeco

O nome do secretário de Governo da gestão do prefeito Gilmar Olarte (PP), Rodrigo Pimentel, aparece sucessivas vezes  na investigação do Gaeco (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado), que teve início em março de 2013 com a prisão do assessor de Olarte, Ronam Feitosa e o cumprimento de um mandato de busca e apreensão na casa do prefeito. De acordo com o documento, Rodrigo teria cometido possível prática de favorecimento pessoal (art. 348 processo penal), uma vez que com a ascensão de Olarte, ganhou cargo no primeiro escalão.

Durante a investigação, promotores de Justiça colheram depoimentos de testemunhas e interceptaram conversas telefônicas com autorização da Justiça, nos quais Olarte teria se valido da atuação de Rodrigo Pimentel auxiliando a acobertar um suposto esquema de corrupção.

O esquema foi inicialmente revelado pelo desembargador Ruy Celso Florence que se restringiu a informar que a investigação partiu de denúncia de um agiota que teria emprestado dinheiro a Ronam e outras duas pessoas e não teria recebido. O Gaeco apurou Ronam agia supostamente a mando de Olarte e teria acumulado uma dívida de mais de R$ 900 mil com promessas que os credores seriam pagos após a ida de Gilmar Olarte para a prefeitura. Contudo, após assumir o cargo de prefeito, não teria pago os débitos.

Um dos investigados, que alega ter emprestado dinheiro ao esquema, cita que após Olarte assumir a prefeitura, recebeu um telefonema de Pimentel, o convidando para uma reunião em seu escritório na qual foi apresentado como advogado do prefeito, e teria dado garantias de pagamento dos cheques pegos por Ronam e Olarte com promessas de vantagem na administração pública.

O irmão de Ronam, Paulo Feitosa, também cita o nome de Pimentel em interceptação telefônica, dizendo a um determinado credor que o secretário irá procurá-lo para fazer o pagamento da dívida de Olarte. Pimentel é citado em outras atuações, e, conforme o Gaeco, teria recebido a incumbência para atuar diretamente de Gilmar Olarte.

Em uma das conversas, uma pessoa cita que o secretário teria auxiliado o prefeito a manter Ronam afastado da Capital quando se intensificou o assédio dos cobradores no Paço Municipal. O Gaeco cita que o afastamento de Ronam seria possivelmente para não envolver o nome do prefeito no escândalo.

A investigação aponta  ainda que ao mesmo tempo em que Olarte dissimulava que não teria nada a ver com o golpe praticado por Ronam e que este teria usado seu nome para praticar os delitos, prometia vantagens aos credores e aos familiares do assessor.

Em uma das gravações telefônicas, a mulher de Ronan, Edna Lima, diz que Pimentel teria auxiliado Gilmar Olarte a negociar o silêncio dos familiares mediante promessa de nomeação de cargos na administração pública.

A denúncia apresentada pelo Procurador-Geral do MPE (Ministério Público Estadual), Humberto Brites aponta o prefeito, seu assessor e outro homem identificado como Luiz Feliciano como cabeças de um esquema de corrupção.

O desembargador Ruy Celso Florence, em documento datado de 18 de novembro de 2014, revela que realizou supervisão judicial da investigação do Gaeco devido às suspeições subjetivas declaradas pelos desembargadores Gerardo de Souza e Maria Isabel Matos. Eles alegaram laços de amizade com familiares de Rodrigo Pimentel , que na avaliação deles figurava entre os investigados.

Por ter sido responsável por autorizar ao Gaeco a busca e apreensão na casa de Gilmar Olarte, Ruy Celso declarou suspeição para processar e julgar o prefeito e seu assessor, pedindo a redistribuição do feito e salientando que Pimentel não foi denunciado pelo MPE, não existindo assim motivos para que os desembargadores Gerardo e Maria Isabel fiquem fora dos possíveis nomes escolhidos para apreciar o caso. Contudo, a relatoria está a cago do desembargador Luis Caros Bonassini.

Gaeco X Olarte

A investigação do Gaeco contra o prefeito veio à tona em março de 2013, com a ‘batida‘ do Gaeco na casa do prefeito. Apesar de negar envolvimento, sua condição de investigado foi exposta quando a medida investigatória foi parar no Tribunal de Justiça devido ao foro privilegiado de Olarte.

O caso que estava em sigilo até sexta-feira (6) vinha causando insegurança à toda a população da Capital, uma vez que não havia qualquer informação a não ser que o Gaeco havia determinado a prisão do assessor do prefeito no momento do seu desembarque na estação da Barra Funda em São Paulo e realizou oitivas com vereadores do PtdoB, empresários, pastores e com o próprio Olarte.

Agora, com o fim do sigilo a denúncia do Procurador Geral contra o prefeito e Ronam por corrupção passiva e lavagem de dinheiro está aberta a quem interessar.

Em um documento que faz parte do processo de 900 páginas, o desembargador Francisco Gerardo de Souza revela que “...a denúncia agora oferecida narra uma gama complexa de fatos relacionados a suposto esquema engendrado por Gilmar Antunes Olarte, Ronam Lima Feitosa e Luiz Feliciano e fim de angariar recursos e dissimular sua origem, obtendo de diversas pessoas cheques, mediante uso de influência político-religiosa e promessa de nomeação em cargos comissionados, cessão de uso de terrenos públicos e facilitação em contratos com a administração pública”.

O outro lado

A reportagem entrou em contato com o secretário de Governo, Rodrigo Pimentel, que afasta as suspeitas. De acordo com Pimentel, sua atuação junto a Olarte teve início em 2013, quando advogou o defendendo da expulsão do PP, determinada pelo presidente da sigla, Alcides Bernal (PP).

“Não conheço essas pessoas que citaram meu nome. De maneira alguma ofereci vantagens, cargos, promessa de pagamento e muito menos ajudei a fuga de qualquer pessoa. Recebi sim uma pessoa dessas, mas atendendo a meu cliente; e em nenhum momento essa pessoa cobrou o Olarte, cobravam o Ronam. Não me envolvi em nenhum momento com isso. Por isso, vou provocar a OAB -MS (Ordem dos Advogados, seccional MS) para acompanhar esse caso, uma vez que atuei estritamente dentro da minha profissão e fui colocado dentro de um processo judicial”, declarou.

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