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Realizando o sonho da maternidade, Cibele enfrentou 'baby blues' e divide experiências

Tristeza que acomete mães de recém-nascidos é comum e história pode ajudar a incentivar outras mulheres a buscarem de ajuda

26 outubro 2018 - 15h10Por Amanda Amaral

Melancolia e choro a qualquer hora, sem motivo aparente, mesmo após o que para muitas mães é a realização de um grande sonho. A baby blues esteve presente em alguns meses na vida de Cibele Lopes de Oliveira, 32 anos, depois que nasceu o filho Gibson. Ela divide sua história na intenção de ajudar outras famílias na mesma situação.

A condição, também chamada de tristeza maternal, é comum e costuma atingir mulheres algum tempo após o nascimento de seus bebês, mas difere-se da depressão pós-parto em alguns aspectos. No caso de Cibele, começou a surgir uma semana depois de dar a luz, como uma inconsolável angústia conforme o sol se punha.

“Era sempre no final do dia, quando escurecia, tinha uma vontade muito grande de chorar. Não cheguei a rejeitar meu filho, mas suspeitei que fosse uma depressão, o que tinha muito medo, e recusei algumas ajudas que me ofereceram, pois queria ficar sozinha”, relata.

Com sua família longe e o esposo o dia todo no trabalho, além da opção do isolamento, a situação foi ficando mais difícil e dividir o problema com outras pessoas parecia impossível, pelo receio de parecer ‘mal agradecida’ após a gravidez tão planejada e tranquila. Cibele não conseguia amamentar o filho, apesar de esse também ser um de seus sonhos como mãe. 

Descoberta

Após pesquisar na internet sobre os sintomas que apareciam, descartou a primeira hipótese e se deparou com a classificação do que era baby blues.

Logo, se identificou com o que estava descrito e comentou com o esposo. Juntos, buscaram alternativas para tentar sair da rotina como tentativa para abater a tristeza, saindo de casa e encontrando amigos, o que aos poucos e após muita paciência, foi acontecendo.

“São muitas mudanças, no corpo, na cabeça, na rotina, e é difícil ter essa noção de verdade antes. Eu sempre me sentia muito bonita grávida, depois mudou e é diferente com o a gente tem que se encarar, é inevitável perder boa parte da liberdade”, conta.

Hoje, conseguiu se adaptar e tomar conta dos desafios do dia a dia, conhecendo cada vez melhor seu bebê que já completou os três meses de vida. Mas alerta para que as famílias estejam preparadas para lidar com o inesperado, que é mais comum do que antes tinha noção.

“É um assunto que é pouco falado, a maternidade não é essas mil maravilhas que passam pra gente. Pode ser incrível, e é incrível, mas precisamos entender sobre a maternidade verdadeira, as pessoas não podem ter vergonha. Não é culpa delas, é coisa hormonal e as mães têm que se apoiar. É muito bom ter momento só da mãe com o bebê, mas também não rejeitar ajuda quando se precisa”, finaliza.

Baby Blues e depressão pós-parto

Baby Blues e depressão pós-parto são comuns em mães de recém-nascidos. O primeiro é mais leve, durando no máximo 30 dias. Mas a depressão pós-parto pode resultar em grandes crises de choro, alterações de humor que duram meses e até rejeição pelo bebê. Esses casos são mais complicados, mas ambos têm tratamento. O importante é ter muita paciência e entender o que está acontecendo.

A depressão pós-parto explica comportamentos como da jovem de 19 anos que abandonou uma bebê de um mês na noite de quarta-feira (24), no canteiro da Avenida Rita Vieira, em Campo Grande. A mãe deixou a menina em um bebê conforto no canteiro da Avenida, depois retornou ao local e afirmou para uma mulher que tinha escutado vozes e por isso abandonou a criança no local.

Ela ficou internada no CRS Tiradentes e os médicos diagnosticaram a paciente com a doença.