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Uma profissão que requer carinho e dedicação: o cuidador de idosos

Profissões

24 FEV 2014
Aline Oliveira
21h00min
Dona Gedy e as filhas Márcia e Maria do Carmo - Foto: Vanessa Ricarte

A família Portocarrero passou por uma situação delicada em dezembro do ano passado, quando a matriarca, Gedy Flores Portocarrero, 84 anos, sofreu uma queda doméstica e acabou por quebrar o fêmur. A situação que poderia colocar em risco a vida desta elegante vovó foi enfrentada com muito amor, carinho e dedicação, além da participação essencial de uma profissional especial que é a cuidadora de idosos.

 

O trabalho de acompanhar a recuperação de dona Gedy ficou a cargos das filhas, Maria do Carmo Portocarrero Petelinkar e Márcia Portocarrero Serra que contrataram duas cuidadoras para atender a genitora nos períodos em que ambas precisam trabalhar. “Minha mãe sempre foi uma mulher muito independente e morava sozinha em Aquidauana, com companhia, mas sempre foi responsável por si mesma. No entanto, com a queda, teve que passar por uma cirurgia bastante complicada e que exigia atenção exclusiva”, detalhou.

 

Maria do Carmo explicou que a recuperação de uma cirurgia de fêmur já é complicada, mas, em idosos se torna ainda mais delicada, por ser demorada e pela fragilidade de pessoas com mais idade. “Se o idoso ficar muito tempo deitado pode ter várias intercorrências, como pneumonia por exemplo. No caso da mamãe, nós contratamos duas cuidadoras e ela é assistida diariamente por um fisioterapeuta que realiza exercícios de fortalecimento e reabilitação. Com isso a recuperação tem sido surpreendente, já que estimaram que ela voltaria a andar no prazo de seis meses e em 60 dias ela já anda com ajuda de um andador de apoio”.

 

Uma das cuidadoras, que acompanha dona Gedy no período noturno e nos fins de semana é Valéria Lira Baraúna que se tornou literalmente, o anjo da guarda e companhia indispensável em todos os momentos. “Eu já tinha um pouco de experiência, mas confesso que no começo fiquei preocupada se daria conta do recado. Porém, foi tudo tranquilo e aprendo a cada dia com dona Gedy que é um exemplo de força de vontade e determinação, além de ser muito bem humorada”, confidenciou.

 

 

Para a filha Márcia é preciso ter muito cuidado e comprometimento de todos os envolvidos quando se contrata um cuidador para acompanhar um ente querido. “É complicado no começo, pois, você traz para dentro de sua casa uma pessoa que é estranha ao convívio. Por isso é importante contratar bons profissionais para que possamos nos sentir tranquilos. Eu acredito que é como um casamento, já que terão de conviver com toda a família e temos que respeitar o espaço da pessoa que se dispôs a cuidar de nossa mãe”, argumenta.

 

As filhas de dona Gedy já decidiram que mesmo com a recuperação da mãe, querem que a cuidadora permaneça no cargo, para dar suporte, fazer companhia e auxiliá-la na rotina diária. “Independente da saúde, o idoso precisa de alguém por perto. A pessoa idosa não pode ficar só e como eu trabalho o dia todo, assim como minha irmã, queremos zelar pelo bem estar da mamãe. A Valéria é a figura que alegra o dia, que passeia junto e a auxilia em todos os momentos”, pontua Maria do Carmo.

 

A aposentada que é viúva há 15 anos destaca que considera importante o trabalho do cuidador, mas alerta que é preciso contratar uma pessoa responsável. “Tenho duas companheiras muito boas e atenciosas e indico o serviço para quem precisar. Mas, acredito também que temos de fazer nossa parte e a força de vontade é essencial”.

 

 

Nova profissão – Um levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) concluiu que o número de brasileiros com mais de 60 anos cresceu em 10 anos, 55%. Este público passou de 15,5 para 23,5 milhões de pessoas e deve alcançar 58,4 milhões até 2060. A expectativa de vida do idoso saltou de uma média de 60 a 70 anos para 90 a 100 anos, com isso surgiu a profissão de cuidador de idoso.

 

Nos Estados Unidos ser  cuidador é uma profissão regulamentada e organizada através de cursos de extensão, com currículo definido e formação exigida por lei. No Brasil ainda não há nenhum tipo de organização a respeito da função, o que dificulta a qualificação dos profissionais que geralmente participam de cursos técnicos para aprimorar os conhecimentos.

 

Em razão da falta de legislação específica a função é regulamentada de acordo com a PEC das Domésticas porque é exercida na casa dos pacientes. A carga horária é de oito horas e o salário médio vária entre R$ 1,5 mil a R$ 2 mil reais. Os profissionais do período noturno e que trabalham nos finais de semana tem ainda remuneração diferenciada.

 

Valéria que não tinha nenhum curso específico para cuidar de idosos afirma que já tem planos para o futuro. “Eu já tinha cuidado de idosos, mas sempre foi por afinidade, sempre gostei de conviver com pessoas de mais idade. Eu trabalhava como manicure, mas depois de cuidar da dona Gedy quero me especializar e procurar capacitação”, reforçou.

 

Maria do Carmo revela que ela e Márcia estão com projeto para continuar com Valéria, mesmo após a completa recuperação da mãe. “Para escolher um profissional é preciso avaliar a relação de afinidade e as duas são muito companheiras. Existem empresas especializadas em oferecer o serviço, mas como é feito por escala, a cada dia pode vir uma pessoa diferente. Desta forma não dá para criar uma relação de afeto e companheirismo. Todos nós participamos da recuperação da mamãe, os filhos, os netos e até os bisnetos. Mas, com certeza é necessário termos uma pessoa na qual possamos confiar e que cuide com carinho e dedicação”, finaliza.

Dona Gedy e as filhas Márcia e Maria do Carmo - Foto: Vanessa Ricarte
Dona Gedy e as filhas Márcia e Maria do Carmo - Foto: Vanessa Ricarte
Dona Gedy e as filhas Márcia e Maria do Carmo - Foto: Vanessa RicarteMárcia, Maria do Carmo e ValériaMárcia e Maria do Carmo

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