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Ator e diretor Domingos Oliveira morre aos 83 anos no Rio de Janeiro

O artista estava escrevendo no computador em sua casa quando se sentiu mal e não resistiu

23 MAR 2019
Redação/G1
17h22min
Foto: Jorge Baumann

O ator e diretor Domingos Oliveira morreu por volta das 14 horas deste sábado, dia 23 de março, no Rio de Janeiro, aos 83 anos. Segundo informações da família, o artista estava escrevendo no computador em sua casa, no Leblon, quando se sentiu mal e não resistiu. A causa da morte ainda não foi divulgada.

Segundo a produtora Renata Paschoal, que trabalhava com ele há mais de 15 anos, o velório está marcado para as 20 horas desta sábado, no Teatro Planetário.

Domingos nasceu no Rio de Janeiro em 28 de setembro de 1935. Entrou para a Globo em 1963, para fazer a programação da emissora que estrearia dois anos depois. Integrou a equipe de autores de séries de sucesso nos anos 1970.

Apesar de doente na última década – sofria de Mal de Parkinson –, Domingos continuava trabalhando em "Confissões das mulheres de 50" e "Todo mundo tem problemas sexuais".

Nome seminal da história do cinema, teatro e televisão brasileira, Domingos Oliveira até pensou em enveredar pela Engenharia Elétrica, na qual se formou. No entanto, logo após fazer um curso com um diretor da escola americana de teatro Actor's Studio, sua vida seguiu o caminho da arte – caminho que já havia começado a ser trilhado na escola quando, aos 12 anos, interpretou um cardeal português na peça "A ceia dos cardeais", de Júlio Dantas.

No início dos anos 1960, ele escreve e monta, na varanda de seu apartamento, sua primeira peça: "Somos todos do jardim de infância". A produção se transformou em sucesso de crítica e lançou a carreira de Domingos e sua então mulher, a atriz Leila Diniz.

Ainda na década de 1960, Domingos trabalhou como redator na revista Manchete. Em 1963, foi convidado por Abdon Torres para fazer a programação da Globo, que estrearia dois anos depois. Ele foi o segundo produtor contratado pela emissora; o primeiro foi Haroldo Costa. Quinze dias antes da inauguração, Abdon Torres foi substituído por Mauro Salles na direção da emissora, e grande parte da programação até então desenvolvida não entrou no ar.

Apesar da saída de Abdon, Domingos Oliveira continuou na Globo trabalhando no "Show da Noite", apresentado por Gláucio Gil. Ele produzia e dirigia o programa, transmitido ao vivo de segunda a sexta-feira, ao lado de Renato Consorte, Haroldo Costa, Oswaldo Waddington e Wilson Rocha. Show da Noite saiu do ar em dezembro de 1965, quatro meses depois da morte do apresentador Gláucio Gil, ocorrida durante uma transmissão do programa.

Depois de 1966, Domingos Oliveira sai da Globo para se dedicar ao cinema. Na época, dirigiu aquele que, para muitos, é o grande filme de sua carreira: "Todas as mulheres do mundo" (1967), que recebeu 12 prêmios no Festival de Brasília, estrelado por Leila Diniz e Paulo José.

Em seguida, dirigiu os filmes "Edu, coração de ouro" (1968), "As duas faces da moeda" (1969), "É Simonal" (1970) e "A culpa" (1971). Este último recebeu a Estatueta Dama del Paraguas por sua fotografia, no Festival de Barcelona, em 1972.

Em entrevista à GloboNews, o jornalista e crítico de cinema e televisão Artur Xexéo o descreveu como um "apaixonado" por teatro e televisão. "Uma pessoa muita querida", disse.

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