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In Memoriam

13/11/2014 09:44

Morre aos 97 anos o poeta pantaneiro Manoel de Barros

Internado há quatro dias

Morreu na manhã desta quinta-feira (13), aos 97 anos, o  poeta, advogado e fazendeiro Manoel Wenceslau Leite de Barros, o Manoel de Barros. O escritor estava internado desde segunda-feira (10), quando passou por uma cirurgia de desobstrução do canal intestinal, e seguia em observação na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), mantido sob sedação.


O escritor nasceu em Cuiabá (MT) no Beco da Marinha, beira do Rio Cuiabá, em 19 de dezembro de 1916, filho de João Venceslau Barros, capataz com influência naquela região. Mudou-se para Corumbá, onde se fixou de tal forma que chegou a ser considerado corumbaense. Atualmente morava em Campo Grande. 


Que hei de fazer se de repente a manhã voltar?
Que hei de fazer?
— Dormir, talvez chorar


Manoel completaria 98 anos no dia 19 de dezembro e, há cerca de um ano, vinha apresentando um estado debilitado. Não andava, não escrevia ou lia, assim como tinha dificuldades para se comunicar.


Vida e obra 

Com oito anos foi para o colégio interno em Campo Grande, e depois no Rio de Janeiro. Não gostava de estudar até descobrir os livros do padre Antônio Vieira: "A frase para ele era mais importante que a verdade, mais importante que a sua própria fé. O que importava era a estética, o alcance plástico. Foi quando percebi que o poeta não tem compromisso com a verdade, mas com a verossimilhança." Um bom exemplo disso está num verso de Manoel que afirma que "a quinze metros do arco-íris o sol é cheiroso." E quem pode garantir que não é? "Descobri que servia era pra aquilo: Ter orgasmo com as palavras." Dez anos de internato lhe ensinaram a disciplina e os clássicos a rebeldia da escrita.

 

Escreveu seu primeiro poema aos 19 anos, mas sua revelação poética ocorreu aos 13 anos de idade quando ainda estudava no Colégio São José dos Irmãos Maristas, no Rio de Janeiro, cidade onde residiu até terminar seu curso de Direito, em 1949. Mais tarde tornou-se fazendeiro e assumiu de vez o Pantanal.


 

O advogado Manoel de Barros conheceu a mineira Stella no Rio de Janeiro e se casaram em três meses. Desse relacionamento apaixonado, tiveram três filhos, Pedro, João e Marta.


 

Seu primeiro livro  foi publicado no Rio de Janeiro, há mais de sessenta anos, e se chamou "Poemas concebidos sem pecado". Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.


 

Conforme o texto do site Releitura, nos anos 80, Millôr Fernandes começou a mostrar ao público, em suas colunas nas revistas Veja e Isto é e no Jornal do Brasil, a poesia de Manoel de Barros. Outros fizeram o mesmo: Fausto Wolff, Antônio Houaiss, entre eles. Os intelectuais iniciaram, através de tanta recomendação, o conhecimento dos poemas que a Editora Civilização Brasileira publicou, em quase a sua totalidade, sob o título de "Gramática expositiva do chão".


 

Hoje o poeta é reconhecido nacional e internacionalmente como um dos mais originais do século e mais importantes do Brasil. Guimarães Rosa, que fez a maior revolução na prosa brasileira, comparou os textos de Manoel a um "doce de coco". Foi também comparado a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss, "na humildade diante das coisas. (...) Sob a aparência surrealista, a poesia de Manoel de Barros é de uma enorme racionalidade. Suas visões, oníricas num primeiro instante, logo se revelam muito reais, sem fugir a um substrato ético muito profundo. Tenho por sua obra a mais alta admiração e muito amor."


 

O diretor Pedro Cezar filmou "Só dez por cento é mentira", um documentário sobre a vida do poeta que em 2007. O título do filme refere-se a uma frase de Manoel de Barros: "Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira".

 


***Matéria editada para acréscimo de informação às 10h13

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