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Interior

Apenas três PMs cuidam do policiamento diário em Paranhos

22 outubro 2015 - 07h00Por Amanda Amaral

Três dias após a chacina ocorrida em plena luz do dia em uma padaria na cidade de Paranhos, distante a cerca de 460 quilômetros de Campo Grande, ainda não há informações oficiais a respeito da motivação do crime, que resultou em cinco mortes. A suspeita mais forte é de um acerto de contas entre facções rivais envolvidas com o tráfico de drogas - problemática constante enfrentada por policiais da região.

O presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul, aACS/MS, Edmar Soares da Silva, lamenta o ocorrido e relata que é quase impossível confrontar o crime organizado na fronteira. Em Paranhos, são dez policiais no total e, caso alguém entre de férias ou licença médica, a situação fica ainda pior. O total tem de ser dividido por no mínimo três agentes por plantão, o que resulta em apenas três homens trabalhando a cada 24 horas.

“Há uma defasagem no efetivo da Polícia Militar em todo o estado, que gira em torno de cinco mil profissionais. Hoje, são 4.900 PMs em atividade, quando o ideal seria 10 mil. Essa é uma questão crônica que vem se arrastando há anos, Paranhos não é exceção”, disse.

“Ano passado estive em Coronel Sapucaia, uma das regiões mais violentas do país, e havia só dois policiais de plantão, trabalhando em prédios sem a menor condição. Parece até brincadeira”. Edmar diz que há um bom relacionamento entre as forças policiais do estado e dos países vizinhos, mas que muitas vezes as mesmas são ainda mais deficitárias.

Segundo o representante da categoria, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), convocou neste ano 119 aprovados em concursos e que aguardavam assumir a vaga, o que ajudou um pouco a atender as questões mais urgentes, mas nem de longe resolveu o problema. Ele diz que sugeriu até que o estado convocasse quem passou apenas na primeira fase da prova, pedido que foi negado para não abrir precedentes e desorganizar ainda mais o trabalho.

Outra questão apontada como urgente é a melhoria na estrutura das delegacias, compra de equipamentos como coletes à prova de balas e armamento ‘compatível com a realidade na fronteira’, além de mais viaturas e combustível suficiente.

Chacina

Testemunhas relataram que homens chegaram ao local em dois veículos, um aparentava ser Hilux preta. Eles estavam armados com fuzis e demais revólveres, atirando ao menos 100 vezes contra as vítimas. Apesar de perseguição policial, os criminosos teriam fugido para o país vizinho, Paraguai.

A Polícia Civil confirmou o óbito de Bruno Vieira de Oliveira, de 26 anos; Rodrigo da Silva de, 28 anos; e Mohamed Youssef Neto, de 31 anos que morreram durante o atentado. Já Arnaldo Andres Alderete Peralta, de 32 anos e Denis Gustavo Gonçalves, de 23 anos, chegaram a ser socorridos pelas equipes de resgate, mas faleceram no hospital. Além disso, Ermison Lopes Pereira de 29 anos e Anderson Cristiano Betoni, de 27 anos, foram internados.

Recentemente, o jornal paraguaio ABC Color divulgou que a matança seria resultado da guerra desencadeada pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) para assumir o comando do tráfico de drogas na fronteira do estado com o Paraguai. A hipótese surgiu por conta de um dos mortos, Arnaldo Andrés Alderete Peralta, de 32 anos, ser conhecido como narcotraficante de Ypejhú, cidade vizinha de Paranhos.

O delegado responsável pelo caso, Fabrício Dias dos Santos, informou que um dos baleados sobreviventes teria dito que não sabia o motivo do atentado. No momento, a polícia segue ouvindo familiares, amigos e envolvidos para investigar a fundo, com a intenção de encontrar a real motivação desse crime.