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Com suspeitos de estupro soltos, mãe se muda de Coxim para proteger o filho

11 DEZ 2016
Edição MS
11h51min
Foto: Angela Bezerra

Medo, insegurança, indignação, desespero e, acima de tudo, instinto materno, foram os sentimentos que levaram a mãe do estudante de 10 anos, vítima de estupro ocorrido no início de dezembro no bairro Santa Maria, a tomar uma difícil decisão no final desta semana. Após cinco anos morando em Coxim, a cozinheira, de 30 anos, juntou tudo o que tinha e deixou a cidade com o filho, depois de receber a notícia que os suspeitos de abusar de seu filho haviam sido soltos na última segunda-feira (5), por falta de vaga em Unei (Unidade Educacional de Internação).

Em entrevista, a cozinheira relatou um pouco do sofrimento que o filho vinha passando nas mãos dos adolescentes e explicou os motivos que a levaram a deixar a cidade.

Segundo ela, após se recuperar da intoxicação alcoólica, o filho contou que já não estava indo para a escola há dias por medo da dupla. De acordo com o garoto, os adolescentes faziam gestos de que iriam agredí-lo no colégio, ameaçavam e diziam que iriam obrigá-lo a ingerir bebida alcoólica, o que é contra a religião dele e de sua família.

A mãe explicou que chegou a receber uma ligação da coordenadora da escola por conta das faltas do filho, mas, o fato coincidiu com a falta do menino por ter extraído um dente e ela não desconfiou. Ao questionar o filho porque havia escondido o bullying que vinha sofrendo, o garoto disse que não queria que a mãe se preocupasse com ele, pois temia que precisasse deixar o trabalho para cuidar dele e sabia que ela precisava trabalhar para manter a casa.

Conforme a cozinheira, o filho foi capturado pela dupla quando estava a caminho da escola na manhã de 1º de dezembro. “Ele foi forçado a entrar na casa de um deles, a mãe estava viajando e deixou o imóvel por conta do adolescente com bebida ao alcance, lá meu filho foi obrigado a ingerir bebida alcoólica até ser intoxicado e depois foi abusado sexualmente”, disse a mãe contendo a emoção.

Ainda conforme a cozinheira, a decisão foi difícil de ser tomada já que ela teve que deixar o emprego, os amigos e a casa onde morava sem precisar pagar aluguel, mas que foi extremamente necessária, tendo em vista a segurança do filho, uma vez que o imóvel fica a poucos metros do local onde o crime ocorreu.

“Não tinha mais saída, meu filho não consegue mais ficar num cômodo da casa sozinho, não fica mais na presença de muitas pessoas, anda na rua olhando para todos os lados assustado, assim como eu está aterrorizado em saber que os adolescentes estão soltos e aqui perto, o jeito é tirar ele daqui, mas a sensação que fica é de impunidade”, desabafou ela.

Sem recursos para fazer a mudança, ela contou com a ajuda da dona do restaurante onde estava trabalhando, mais alguns amigos e membros da igreja que frequenta, que conseguiram arrecadar um pouco de dinheiro para as despesas.

Na quarta-feira (7), o menino voltou à escola, onde fez as provas finais numa sala reservada. A mãe conta que ele sempre teve boas notas e apesar do trauma obteve bom resultado nos testes finais para concluir o ano escolar. A pedido dela, o nome da cidade para onde eles estão se mudando não será divulgado por questão de segurança.

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