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Interior

24/12/2025 18:30

Delegado diz que denúncia de abuso é frágil e descarta flagrante por falta de indícios

Laudo pericial não constatou ato libidinoso e criança pode ter sido induzida por familiares

O delegado titular da Delegacia de Caarapó, Ciro Carlos Jales Carvalho, informou que as alegações de estupro contra uma criança de sete anos na noite desta terça-feira (24), são inconsistentes com as provas, mas reforça que o caso está sob investigação inicial. 

Para o TopMídiaNews, o delegado disse que até o momento não há elementos suficientes que sustentem a existência de crime, nem a autoria inicialmente apontada. Em declaração à reportagem, ele explicou que a investigação ainda está em fase inicial e, por isso, não foi realizada prisão em flagrante.

De acordo com o delegado, a Polícia Civil optou por não autuar ninguém em flagrante porque as informações recebidas eram frágeis e inconsistentes. “Não havia indício de autoria. As descrições repassadas não batiam com a pessoa inicialmente suspeita, que tinha álibi, estava em outra região da cidade e não correspondia às características mencionadas por populares”, afirmou.

Ciro relatou ainda que, a partir da coleta de depoimentos de pessoas da comunidade que presenciaram momentos antes e depois do fato, a equipe passou a questionar a própria materialidade da denúncia. Segundo ele, a suspeita de abuso teria surgido após um questionamento feito por um familiar à criança. “Ela estava tranquila, mas ficou assustada, nervosa e chorosa, passando a concordar com tudo que lhe era perguntado. Isso nos leva a crer que pode ter havido indução”, explicou.

O delegado também destacou que o laudo pericial foi conclusivo ao apontar que não houve ato libidinoso nem conjunção carnal. A criança, segundo ele, estava suja de barro, assim como outras que brincavam na mesma área, um terreno baldio próximo a um matagal, onde várias crianças estavam no momento dos fatos. “Ela estava no mesmo local que as demais, brincando, e não foi verificada a presença de nenhuma pessoa estranha à comunidade”, acrescentou.

No entanto, ele reforçou que não é possível apresentar uma conclusão definitiva neste momento.

“O inquérito policial ainda vai ser instaurado e a investigação vai seguir. Se houve crime, isso será esclarecido ao final, no relatório conclusivo. Mas, neste momento, a posição inicial da Polícia Civil é de que se trata de uma acusação frágil”, finalizou o delegado.

O caso

Uma criança de apenas 7 anos foi arrastada para um matagal e estuprada na noite desta terça-feira (23), na cidade de Caarapó, a 373 quilômetros de Campo Grande. O suspeito foi preso horas depois pela Polícia Militar.

Conforme as informações policiais divulgadas pelo site Alerta Dourados, a pequena estava brincando quando desapareceu de repente. A ação mobilizou várias pessoas e autoridades da cidade, que procuraram pela menor.

Chorando muito, a mãe da criança detalhou que horas depois a menina foi encontrada por um morador próximo a uma área de mato. Ela então contou que um homem teria tentado impedir que a criança gritasse colocando uma fita em sua boca, levantando a possibilidade de que ela tenha sido vítima de abuso.

A criança foi levada ao hospital, onde passou por exames médicos e recebeu atendimento especializado, seguindo os protocolos previstos para esse tipo de situação.
 

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