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Interior

Indígenas fazem retomada em território tradicional na região de Caarapó

13 junho 2016 - 17h18Por Izabela Sanchez

Cerca de 200 Guaranis e Kaiowás da região de Caarapó realizaram nova retomada em território reivindicado como tradicional no final da tarde de domingo (12). A retomada incidiu na Fazenda Ivu, que ocupa parte do território tradicional indígena Amambaí Peguá I, última terra indígena a ser publicada pelo governo Dilma, e que ficou suspensa após a posse do governo interino.

São cerca de 7 tekoha - lugar onde se é -, contemplados pela terra Amambai Peguá I. Elson, liderança do tekoha Tey Jusu explicou que a retomada foi resultado da demora do governo em demarcar a terra, além de ser um protesto à tese do marco temporal, que pretende revogar as terras indígenas não ocupadas antes da promulgação da Constituição Federal em 1988.

“Entramos com 200 pessoas, e agora deve aumentar  para 1200. O povo kaiowá está revoltado com a demora da demarcação, e a questão do marco temporal que afeta vários tekohas de Amamabi Peguá”, contou Elson.

De acordo com ele, os moradores da fazenda chegaram pouco tempo depois de entrarem na terra, e ao avistarem os indígenas, foram embora. A fazenda fica na fronteira entre o tekoha Tey jusu e a reserva indígena Tey Kue em Caarapó. Elson explicou que, por volta das 20h da noite de domingo, três carros chegaram no território e ficaram observando a ocupação de longe.

Elson também contou que homens fardados teriam ido a reserva,  questionando o endereço da liderança do local.  “Pela nossa avaliação é uma tentativa de intimidar, procuraram ele, informação onde era a casa, junto com a polícia, eram fardados, forçou a tey kue pra contar onde estava. Aí um dos moradores informou onde ele estava, e falou que estavam em Tey Jusu, e logo após foram pra Tey Jusu, só que deixaram o carro mais ou menos 200 metros de onde estamos”, afirmou.

A retomada tem a presenção de Guaranis e Kaiowás dos tekohas e da reserva Tey Kue em Caarapó, onde diversos indígenas são confinados. Para Elson, a tese do marco temporal levada a frente pelas bancadas ruralistas e movimentos anti-indígenas deve significar o aumento das reservas que confinam os indígenas em espaços irrisórios.

Na tarde desta segunda-feira (13), Elson explicou que chegaram duas caminhonetes Hilux no local, com os fazendeiros, além de viaturas da polícia civil, militar e federal. Eles teriam enviado uma indígena para dialogar com as forças, informando que os proprietários poderiam entrar e recolher os pertences junto com a polícia federal e a Funai (Fundação nacional do índio).

“Concordaram, ficaram alguns minutos observando a gente, tirando foto, depois voltaram pra trás e de longe vimos que 80 carros estavam se agruparam, estão rodando, alguns já foram embora, mas estão mais ou menos 3 mil metros. Não sei qual o motivo desse agrupamento de veículos, a gente informou o MPF [Ministério Público Federal] e o MPF acionou a polícia federal”, explicou Elson.