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sexta, 04 de dezembro de 2020
Interior

Indígenas que ocupam fazendas em Japorã afirmam que resistirão a ofensiva de produtores

Demarcação Terras

30 outubro 2013 - 19h51Por Aline Oliveira

Nesta quarta-feira (30), um grupo de indígenas que ocupam propriedades rurais invadidas em Japorã (MS) afirmou à Imprensa que irão resistir aos ataques recebidos para desocuparem o local. Eles afirmaram que foram alvo de tiros de metralhadora e fuzil no último domingo (27) e acusaram uma empresa de segurança que teria sido contratada por fazendeiros que tiveram as fazendas invadidas.

 

Segundo os organizadores do movimento indígena, mais de três mil indígenas já participam da ocupação, mas que pretendem aumentar o número de participantes para forçar a entrega das terras localizadas em território indígena reconhecido pela Funai (Fundação Nacional do Índio). Se houver ataque nós vamos resistir. Será uma verdadeira guerra porque se matarem um de nós haverá sangue do outro lado também. Será olho por olho e dente por dente”, informou uma das lideranças.

 

De acordo com informações da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), existem atualmente 79 áreas ocupadas por indígenas no Estado. Do total, 21 áreas foram invadidas após acordo firmado entre índios, fazendeiros e o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de que não haveria novas invasões, já que a União aceitou comprar terras e indenizar os produtores em áreas comprovadamente indígenas.

 

A comunidade indígena de Japorã afirmou que as novas ocupações na região não estão relacionadas ao acordo e que foram feitas de forma independente. Os líderes alegaram que não tiveram alternativa a não ser retomar as terras de origem, pois já não aguentam mais apelar ao poder público e não receber resposta sobre a situação de miséria com a qual convivem há 10 anos.

 

Enquanto isso, fazendeiros se dizem preocupados. Eles entraram na Justiça com um pedido de reintegração de posse das áreas, mas enquanto o caso está sendo analisado, a Justiça determinou que a Polícia Federal fique na região para evitar conflitos. Os fazendeiros só conseguem entrar nas propriedades que estão ocupadas pelos indígenas com escolta da Polícia Federal. Os trabalhadores rurais alimentam os animais que ficaram nas propriedades.

 

Fonte: O Progresso

 

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