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Interior

Retomadas indígenas são atacadas durante final de semana

14 março 2016 - 10h40Por Izabela Sanchez

O tekoha, lugar onde se é, Kurussu Ambá, na região de Coronel Sapucaia, distante 420 quilômetros  de Campo Grande, e o tekoha Boqueirão, na região de Dourados, distante cerca de 228 quilômetros de Campo Grande, sofreram ataques de pistoleiros contratados durante o último final de semana. As duas áreas são retomadas, processo de ocupação e reivindicação da etnia Guarani e Kaiowá.

Ava Katua – índio protetor, em guarani- é uma das lideranças da terra boqueirão, que teve parte do território retomado na última sexta-feira (11). Ele explicou que cerca de 40 pessoas ocuparam a terra e sofreram ataques de pistoleiros no sábado (12).

“A gente chegou e fomos fazer uma reza tradicional, pedindo proteção. Chegaram duas caminhonetes, homens com armas bem longas e começaram a atirar, foi bem intenso”, contou. Ava Katua explicou que no momento havia crianças e idosos nos locais, que fugiram para a mata em volta da terra. Um indígena foi ferido com 8 perfurações pelo corpo.

                    Guarani e Kaiowá ferido depois do ataque (foto: divulgação)

“Eu sei que muitos dizem que entramos nessas terras por influência externas, mas é mentira. Essa é uma luta nossa, estamos ocupando uma terra que é nossa, tradicional, que faz parte do nosso tekoha”, explicou Ava Katua.

A retomada do tekoha boqueirão foi feita por parte dos integrantes da reserva indígena de Dourados, que tem cerca de 15 mil indígenas confinados em 3.539 hectares. Ava Katua explicou que no momento as famílias constroem as moradias, sobrevivendo de auxílio e doações. De acordo com a liderança, a fazenda Cristal, que seria de propriedade de um grupo de comunicação em Dourados, incide nas terras.



                         Vídeo produzido pelos indígenas durante ataque (edição: assessoria Cimi)



Kurussu Ambá

O final de semana também foi de ataques para a comunidade Kurussu Ambá, na região de Coronel Sapucaia. Kurussu é dividido em três acampamentos, e o acampamento 2 sofreu ataques de homens armados na sexta-feira (11) durante a tarde.

“Chegaram em caminhonetes e a cavalo. O pessoal estava construindo as casas no acampamento e chegaram atirando em cima deles”, contou Elizeu, que é professor e uma das lideranças locais. Ele contou que os ataques nunca param, e que a ameaça ao território é constante.

No dia de 31 de janeiro o acampamento 3 foi incendiado por pistoleiros e os indígenas que vivem no local perderam casas, roupas e até animais domésticos.

Parte do tekoha Kurussu Ambá  foi considerado de posse plena indígena pelo Supremo Tribunal Federal, no entanto, 4 lideranças já foram assassinadas em ataques ao acampamento. Os outros territórios pertencentes ao tekoha ainda tramitam na justiça. O relatório técnico antropológico foi entregue somente em dezembro de 2012, e aguarda aprovação da Funai (Fundação nacional do índio) de Brasília.