Geral

18/12/2018 14:47

Máfia do cigarro: Sargento da PM é condenado novamente e soma 22 anos e meio de prisão

Militar disse que destruiu celulares em briga de casal e não para ocultar provas de seus crimes

18/12/2018 às 14:47 | Atualizado 19/12/2018 às 07:46 Amanda Amaral e Nathalia Pelzl
André de Abreu

Foi julgado e condenado a mais três anos e seis meses de prisão o 2º sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Ricardo Campos Figueiredo. Dessa vez, pelo crime de obstrução de Justiça contra operação que investigava a ‘Máfia do Cigarro’ dentro da corporação.

A pena soma em 22 anos e meio de prisão, já que na segunda-feira (17) o militar foi condenado a 18 anos e dez meses, por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O caso de tentativa de obstrução de Justiça ganhou notoriedade na imprensa, já que na ocasião em que a polícia entrou na casa dele, o militar correu para o banheiro e tentou destruir os telefones celulares que usava.

Em sua defesa nesta terça-feira (18), ele alegou que a destruição de celulares, que poderiam conter provas de sua participação nos crimes, não foi de propósito. Ele alegou que os aparelhos foram danificados em uma discussão com sua esposa.

As decisões são do juiz Alexandre Antunes da Silva, da Auditoria Militar, e preveem que Ricardo não possa recorrer em liberdade. Ele deve aguardar recurso no Presídio Militar, no Jardim Noroeste.

Conforme o Ministério Público Estadual, a investigação constatou que havia depósitos nas contas do filho de Ricardo, que não possui renda. O montante nas contas do garoto chegou a R$ 1 milhão e vinham do esquema criminoso.

Ainda segundo o MPE, Ricardo comprou um carro Corolla e uma caminhonete Hilux. Além disso, adquiriu uma chácara onde deu o carro de passeio como entrada, R$ 35 mil em transferência e cheques pré-datados.

Oiketicus

A Operação Oiketicus foi deflagrada em maio, quando o Gaeco e a Corregedoria da Polícia Militar prenderam 21 pessoas, principalmente nas cidades do interior. Militares de altas patentes comandavam um esquema dentro da polícia que fazia vistas grossas para contrabandos de cigarros vindos do Paraguai. Em troca, a propina era grande e chegava a até R$ 100 mil por mês.

O tenente-coronel da PM, Admilson Cristaldo, é apontado como um dos chefes da quadrilha. Ele já foi condenado a três anos de prisão por obstrução de justiça, ao se recusar a dar a senha do aplicativo de mensagens para os investigadores.

Todos os militares presos na Oiketicus foram denunciados e alguns condenados.