Campo Grande

27/03/2019 19:00

Projeto prevê desconto em taxa para quem adotar animal de rua, mas ideia preocupa protetores

O medo dos defensores é que pessoas comecem a adotar para receber benefício e abandonem o animal dias depois

27/03/2019 às 19:00 | Atualizado 27/03/2019 às 10:30 Dany Nascimento
TopMídiaNews

Preocupadas com a causa animal, representantes de ONG’s (Organizações não Governamentais) e protetores temem que Projeto de Lei que concede desconto de 5% na taxa do lixo para aquele que adotar um pet (cão ou gato) do CCZ (Centro de Controle de Zoonose) seja alvo de oportunistas.

O projeto é de autoria do vereador Dr. Wilson Sami (MDB) e a grande preocupação das protetoras é que algumas pessoas comecem a adotar um animal visando somente o desconto na taxa de lixo, abandonando os bichinhos logo após conseguirem o benefício. A sugestão é que a Capital forneça um sistema de fiscalização para aqueles que adotam, com acompanhamento e visita aos lares.

De acordo com Júlia Grance, vice-presidente do Instituto Amor Animal, "o ideal é o munícipe fazer a doação diretamente para uma protetora ou ONG e receber o desconto na taxa de lixo, pois estas pessoas já estão na causa e sabem detectar quando um lar não será adequado para o animal. E também acompanhamos as nossas adoções para saber se estão adaptados e sendo bem cuidados."

Caroline de Souza, gestora de campanhas do Instituto Amor Animal, acredita que o desconto deveria valer também para quem realiza a castração dos animais. "É o desconto na taxa de lixo para a pessoa que castrasse o seu animal, desta forma diminuiria muito a quantidade de animais abandonados na nossa cidade", diz a gestora.

O TopMídiaNews entrou em contato com o parlamentar, que afirma que já agendou um encontro com o grupo de protetores para discutir a proposta. “Vamos sentar e conversar, eu acho ótimo ter esse encontro com elas para aperfeiçoar a proposta. O projeto é uma ideia boa, para que as pessoas adotem esses animais e, com certeza, vamos conversar para harmonizar os pontos para que isso não se torne um problema na cidade”,

De acordo com Wilson, o CCZ pode exigir que os donos passem a se apresentar no local com o animal com prazo estipulado. “Podemos conversar para esses donos serem monitorados pelo CCZ, vou conversar com elas para ver o que pode ser feito. Não descarto uma emenda para melhorar o projeto, tudo será feito com diálogo”.

 A Organização Mundial da Saúde estima que só no Brasil existem mais de 30 milhões de animais abandonados, sendo 10 milhões de gatos e 20 milhões de cães.