01/05/2014 06:15
Dia Mundial do Trabalho: apenas um feriado ou reflexão e luta social?
Comemorar ou refletir?
Hoje, dia primeiro de maio, é o Dia Mundial do Trabalho (ou do trabalhador). Uma data comemorada em mais de 80 países pelo mundo, como Portugal, Rússia, Espanha, Japão, França e, é claro, o Brasil. Porém, para muitos brasileiros ela é lembrada apenas como o “dia do feriado” ou uma “folga do trabalho”.
A data surgiu no ano de 1886, durante uma paralisação feita por trabalhadores americanos que reivindicavam melhores condições de trabalho. Um ano depois, foi a vez de países europeus entrarem no protesto. Mas só foi “oficializada” em 1889, quando operários franceses decidiram convocar anualmente uma manifestação com o objetivo de lutar pelas 8 horas de trabalho diário.
Vale lembrar que a data também foi escolhida para lembrar dos trabalhadores mortos pela repressão policial nos Estados Unidos, durante os conflitos que aconteceram nas manifestações em Chicago, ainda em 1889, mas no dia 3 de maio. E para homenageá-los, foi criado pela Segunda Internacional Socialista o dia mundial do trabalho.
Desfile do Dia do Trabalho em Bangcoc, na Tailândia. (Foto: Reprodução/Internert)
Com o passar do tempo outros países foram aderindo ao feriado. No Brasil, por exemplo, a celebração começou por influência dos imigrantes europeus, que no ano de 1947 resolveram parar de trabalhar e reivindicar seus diretos. Mas só foi decretado feriado oficial em 1924, pelo então presidente Artur Bernardes.
Historicamente, muita coisa mudou para os brasileiros depois da criação do feriado. A Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) no país foi anunciada no dia primeiro de maio de 1943, assim como o reajuste anual do salário mínimo, muito tempo depois, que também acontecia durante a celebração.
Policiais usam a força para retirar ativista do Femen durante festa do Dia do Trabalho em Paris. (Foto: Reprodução/Internet)
Uma curiosidade é que, mesmo sendo um feriado nacional no Brasil, a Bahia ficou sem comemorar a data durante 55 anos, porque os governantes na época achavam que era uma contradição não trabalhar justamento no dia do trabalho. Seguindo esta mesma linha de pensamento, também seria uma contradição comemorar vivo o dia dos finados, não?
Primeiro de maio é uma data voltada para ações aos trabalhadores, com comemorações, manifestações e eventos (culturais ou não). Porém, muitas pessoas veem apenas como um dia de descanso, como o funcionário público Diogo Barbosa. “Não conheço a história não, só sei que a gente aproveita para descansar”, diz o jovem de 25 anos.
Russos festejam Dia do Trabalho na Praça Vermelha, em Moscou. (Foto: Reprodução/Internet)
Já o taxista Pedro Matos, de 33 anos, contesta o pensamento da grande maioria e afirma que hoje não ser apenas para “descansar”. “Este dia não deveria ser de festa e sim de reflexão. Muitas pessoas morreram lutando pelos nossos direitos e mesmo assim tem gente que só quer saber de dormir. Por isso o Brasil está desse jeito”, finaliza.