Política

02/04/2021 12:29

Mandetta fez campanha para Bolsonaro e agora pede consciência democrática

Seis presidenciáveis assinaram carta pró-democracia; cinco deles votaram em Bolsonaro e um foi para Paris o invés de votar

02/04/2021 às 12:29 | Atualizado 02/04/2021 às 18:15 Rayani Santa Cruz
Presidenciáveis pedem consciência democrática em carta conjunta - Reprodução O Globo

Em artigo publicado no jornal O Globo, o jornalista Bernardo Mello Franco indica certas incoerências dos candidatos à presidência da república em 2022 que elaboraram carta pró-democracia. Entre os apontamentos está o fato de que: dos seis assinantes, cinco deles votaram em Jair Bolsonaro e/ou o apoiaram de alguma forma nas eleições 2018.

Entre os citados está o ex-ministro Luiz Henrique Mandeta (DEM), João Amoedo (Novo, presidente do partido), João Doria (PSDB, governador de São Paulo) e o apresentador de televisão Luciano Huck (sem partido). O time de ex-aliados é grande. 

O único que não votou no presidente é Ciro Gomes, do PDT, que ao perder o segundo turno viajou para Paris e "se manteve neutro".

Mandetta, sul-mato-grossense, ajudou na campanha de Bolsonaro, ajudou a montar o plano de governo em saúde e chegou a assumir um ministério.

A carta conjunta foi escrita em defesa da democracia brasileira após comemorações do assombroso 31 de março de 1964, data em que foi instaurado o regime militar no Brasil.

“Homens e mulheres desse país que apreciam a LIBERDADE (sic), sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, devem estar unidos pela defesa da CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA (sic). Vamos defender o Brasil”, diz o trecho final do documento.

A carta não tem participação de políticos claramente alinhados à esquerda. Os presidenciáveis não citaram Bolsonaro e dizem que “democracia está ameaçada e que cabe a cada um defendê-la e lutar por seus princípios e valores”. 

Veja a carta na íntegra: 

Manifesto pela consciência democrática

Muitos brasileiros foram às ruas e lutaram pela reconquista da Democracia na década de 1980. O movimento "Diretas Já", uniu diferentes forças políticas no mesmo palanque, possibilitou a eleição de Tancredo Neves para a Presidência da República, a volta das eleições diretas para o Executivo e o Legislativo e promulgação da Constituição Cidadã de 1988. Três décadas depois, a Democracia brasileira é ameaçada.

A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela é nosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores.

Não há Democracia sem Constituição. Não há liberdade sem justiça. Não há igualdade sem respeito. Não há prosperidade sem solidariedade.

A Democracia é o melhor dos sistemas políticos que a humanidade foi capaz de criar. Liberdade de expressão, respeito aos direitos individuais, justiça para todos, direito ao voto e ao protesto. Tudo isso só acontece em regimes democráticos. Fora da Democracia o que existe é o excesso, o abuso, a transgressão, a intimidação, a ameaça e a submissão arbitrária do indivíduo ao Estado.

Exemplos não faltam para nos mostrar que o autoritarismo pode emergir das sombras, sempre que as sociedades se descuidam e silenciam na defesa dos valores democráticos.

Homens e mulheres desse país que apreciam a LIBERDADE (sic), sejam civis ou militares, independentemente de filiação partidária, cor, religião, gênero e origem, devem estar unidos pela defesa da CONSCIÊNCIA DEMOCRÁTICA (sic). Vamos defender o Brasil.

Ciro Gomes, Eduardo Leite, João Amoedo, João Doria, Luciano Huck, Luiz Henrique Mandetta.