Polícia

27/01/2023 18:03

Advogada chora e diz ter apanhado de policial em delegacia na Mascarenhas

Imagens mostram o escrevente tentando impedir a profissional de filmá-lo

27/01/2023 às 18:03 | Atualizado 27/01/2023 às 18:10 Thiago de Souza
Advogada prometeu acionar a OAB-MS - Reprodução redes sociais

Advogada Luciany Reis denuncia ter sido agredida por um escrevente da Polícia Civil, na tarde desta sexta-feira (27), na 2ª DP, em Campo Grande. Ela e as clientes filmaram quando o agente toma o celular da mão dela. 

Segundo a denunciante, as clientes teriam sido acusadas injustamente de furto e abordadas por um segurança, dentro de um mercado na Capital. Sendo assim, iriam registrar o caso na polícia. 

Ainda conforme narra a advogada, o escrevente teria se negado a registrar o caso, sob orientação do delegado de plantão. 

''E aí ele falou para elas: 'mas como eu tô vendo que vocês não têm dinheiro para pagar advogado, vocês vão para o Juizado de Pequenas Causas''', relata Luciany. 

A advogada conta que as clientes então lhe acionaram e ela foi ao distrito, pedir para registrar a queixa. O servidor teria se negado novamente e teria sido mal-educado. 

''Daí eu comecei a filmar a delegacia... '', relembrou a profissional. Em seguida, conforme as imagens, o agente vai até Luciany e põe a mão no celular e a gravação é cortada. 

''Ele me empurrou, me derrubou e queria tomar meu celular a todo custo'', desabafou a advogada, que aparece no chão após a intervenção policial. 

Outro vídeo mostra a operadora do direito reclamando do policial. Ele retruca e diz que está sendo desacatado.   

''Quem você pensa que é, seu macho escroto... você não pode tomar o celular de mim... você me agrediu'', disse a advogada, que prometeu acionar a Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional MS. 

As clientes também exclamam que o policial agrediu a advogada, embora as gravações não mostrem. O policial rebate dizendo que ele não pode ser filmado naquele local e que ela o desacatou, por isso deu voz de prisão e reteve a mulher em uma cadeira. 

Depois do ocorrido, a vítima prestou depoimento, na própria delegacia. 

A reportagem tentou contato com membros da OAB-MS, mas não houve retorno. A Assessoria da Polícia Civil disse que desconhecia o caso. 

OAB-MS 

A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), foi procurada pelo TopMídiaNews e  destacou que ''repudia, com veemência, os atos de violência e de gravíssima violação de prerrogativas praticados por um agente da Polícia Civil contra uma advogada nas dependências da 2ª Delegacia de Polícia de Campo Grande''.  

Ainda segundo nota da assessoria, a OAB/MS observou que, desde que tomoou ciência do fato, esteve no local, representada pela Comissão de Defesa e Assistência à Advocacia, prestando todo apoio e amparo à advogada. 

O texto destaca ainda que a Ordem ''mantendo-se firme na defesa das prerrogativas da advocacia, adotará todas as medidas legais contra o agente que praticou tais atos''.