04/05/2023 11:50
Mauro Cid conseguiu carteira de vacinação falsa um ano antes que Bolsonaro, diz PF
Investigação mostra que ação envolveu médico, sargento do Exército, militar e ex-vereador
A Polícia Federal indica que um ano antes de o ex-presidente Jair Bolsonaro ter seu certificado de vacinação contra a Covid-19 falsificado, o tenente-coronel Mauro Cid, preso nesta quarta-feira (3), tentou diversos meios para conseguir falsificar o documento de sua esposa.
Conforme o g1, Cid tentou falsificar o certificado de imunização de sua esposa no ConecteSUS.
Segundo a PF, o objetivo de Cid era conseguir um documento para que a esposa conseguisse viajar aos Estados Unidos sem ter tomado a vacina – o país exige o comprovante de vacinação para estrangeiros.
A investigação da PF aponta que Cid conseguiu inserir dados de vacinação de sua esposa, Gabriela Santiago Cid, no sistema do Ministério da Saúde, além de ter obtido cartões de vacinação físicos com dados falsos sobre doses de vacina, também em nome dela.
O objetivo era fazer com que as informações fraudulentas de vacinação de Gabriela fossem inseridas no ConecteSUS, de acordo com a polícia.
Os envolvidos devem responder por crime de falsidade ideológica, por inserir declaração falsa em documento público, conduta tipificada no art. 299 do Código Penal.
Conforme as investigações, a mulher de Cid usou o documento três vezes para viajar para os Estados Unidos. No ano passado, Cid e as três filhas também conseguiram cartões falsos de vacinação.
A PF pediu os dados de vacinação de Gabriela e a relação das pessoas vacinadas na Unidade Básica de Saúde de Cabeceiras (GO). Em resposta, o Ministério da Saúde informou que não há registro sobre aplicação de doses em nome da esposa de Cid na UBS da cidade goiana.
A análise de dados da rede de celular da esposa de Cid mostra que, nos dias em que foi indicado que ela teria tomado as doses pelo documento falsificado, Gabriela estava em Brasília.
Com a certidão de vacinação falsa, o objetivo de Cid, segundo a PF, era inserir os dados de vacinação falsos em nome de sua esposa no sistema ConecteSUS do Ministério da Saúde, com a finalidade de obter o certificado de vacinação contra a Covid-19.
Nos dias 22 e 23 de novembro de 2021, ele pediu ajuda ao segundo-sargento do exército Eduardo Crespo Alves. Inicialmente, ele teve dificuldades de inserir os dados.
O problema apontado nas conversas interceptadas pela PF é que os lotes da vacina que constam na carteira falsa obtida em nome de Gabriela não foram distribuídos para o Rio de Janeiro – estado onde o sargento Crespo Alves tentava inserir os dados da esposa de Cid no sistema.
Como os dados não batiam, o sistema não permitiu que os dados fossem inseridos.