Perseguição?

22/06/2023 11:39

Deputados querem investigação contra professora por declarar que Bolsonaro é de extrema-direita

Dez deputados aprovaram o requerimento; apenas dois se posicionaram a favor da profissional

22/06/2023 às 11:39 | Atualizado 22/06/2023 às 14:02 Rayani Santa Cruz
Os pais de alunos da escola Estadual Joaquim Murtinho denunciaram a professora ao deputado Rafael Tavares - André de Abreu/Arquivo

Em uma ação que tem gerado controvérsia, o deputado Rafael Tavares (PRTB) apresentou um requerimento na Assembleia Legislativa de MS contra uma professora da Rede Estadual de Educação. O motivo foi um simples comentário feito pela educadora, no qual ela afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é de extrema-direita.

Os pais de alunos da escola Estadual Joaquim Murtinho denunciaram a professora ao deputado Rafael Tavares, que abriu o requerimento. Este documento foi aprovado por 10 votos a favor e 2 contra [Pedro Kemp e Gleice Jane].

Perseguição?

A atitude do bolsonarista foi duramente criticada pelo deputado estadual Pedro Kemp (PT), que exigiu respeito e pediu o fim da perseguição aos professores.

Pedro Kemp (PT) expressou seu descontentamento com o requerimento apresentado por Rafael Tavares, rotulando-o como ridículo e uma forma de perseguição aos professores. O deputado ressaltou que a professora apenas expressou uma opinião amplamente conhecida, referente à posição política de Bolsonaro. Segundo Kemp, é sabido que o ex-presidente não se alinha à esquerda ou ao socialismo, mas sim à extrema-direita.

"Pare de persegui professor. Ficar gravando professor em sala de aula. Você quer jogar para sua base eleitoral que está combatendo a esquerda? Quantos professores em sala de aula falaram que o Lula é ladrão? Muitos falaram. Agora, ninguém pode falar do Bolsonaro que tem 17 processos e foi o pior presidente que tivemos até hoje?", repudiou Kemp que continuou.

"A professora falou que ele é de extrema-direita, como vossa excelência Rafael Tavares que é de extrema-direita. Eu não estou dizendo inverdades. Incentivar aluno gravar, filmar professor dando aula para depois querer denunciar. É uma falta de respeito aos professores de MS. Manifestar opinião não é proibido."

Deputados Pedro Kemp e Rafael Tavares debateram na Assembleia - Foto: TV Assembleia

O parlamentar também chamou a atenção para as consequências negativas dessa perseguição, destacando que a professora em questão está sofrendo de depressão devido a caso. Kemp enfatizou que tal atitude fere o direito dos professores em sala de aula de expressar sua opinião e discutir temas que refletem a realidade do país.

"Peço aos deputados que votem contra esse requerimento e deixe a professora seguir com as suas aulas."

O caso ganhou destaque e gerou debates sobre liberdade de expressão e perseguição política. Muitos educadores criticam a postura do deputado Rafael Tavares, alegando que ela representa uma ameaça à autonomia dos professores e ao ambiente de livre discussão nas escolas.

A deputada Gleice Jane (PT) que é professora afirma que a educadora que explica o que é extrema-esquerda e extrema-direita está cumprindo um dever, que é explicar quais são os grupos políticos que existem na sociedade. "A professora cumpriu o papel dela. Os educadores têm o dever de promover o conhecimento, dizer o que é esquerda e direita e os alunos debaterem."

A parlamentar deu parabéns a professora e emitiu solidariedade. Ela ressaltou ainda que a importância da liberdade de expressão e do respeito às opiniões divergentes dentro do ambiente escolar.

O que diz Rafael Tavares?

Em resposta as críticas de Pedro Kemp, o deputado bolsonarista Rafael Tavares, rebateu

"Entendo a raiva do PT, pois durante muito tempo os professores doutrinaram os alunos em MS. Quando a professora coloca Lula como centro-esquerda e diz que a extrema-direta fascista, nazista, genocida e encaixa Bolsonaro como extrema-direita ela está colocando doutrinação na cabeça desses alunos. Ela está dizendo que Bolsonaro é tudo isso."

Tavares avisa que continuará com a postura. "Se houver doutrinação em sala de aula, pode enviar a esse deputado que irei propor requerimento e denunciar".

Requerimento aprovado

Ainda que com críticas, o requerimento para investigar a professora foi aprovado pela maioria dos deputados, entre eles Paulo Corrêa (PSDB), Pedrossian Neto (PSD), Londres Machado (PP), Lia Nogueira (PSDB) e Mara Caseiro (PSDB). 

O que diz a SED?

Solicitação de nota retorno sobre o caso foi enviado a SED (Secretaria de Estado de Educação de MS). Em resposta, a pasta informou que ainda não foi notificada sobre o requerimento em questão. 

Vídeo: