17/08/2023 21:03
Mauro Cid deve confessar envolvimento e apontar Bolsonaro como mandante no caso das joias
O tenente-coronel e ex-ajudante de ordem vai admitir que vendeu as peças nos EUA, transferiu clandestinamente o dinheiro para o Brasil e o entregou em espécie ao ex-presidente
Preso há exatos três meses, no Batalhão de Polícia do Exército em Brasília, o tenente-coronel Mauro Cid, que foi ajudante de ordem do ex-presidente Jair Bolsonaro, resolveu quebrar o silencio e está disposto a confessar e apontar o ex-chefe do executivo como o mandante no polêmico caso das joias.
Segundo matéria publicada no site da Veja nesta quinta-feira (16), o militar vai assumir sua participação nos crimes. No caso dos presentes, vai confirmar que participou da venda das joias nos Estados Unidos, providenciou a transferência para o Brasil do dinheiro arrecadado e o entregou a Jair Bolsonaro — em espécie, para não deixar rastros.
Ele vai dizer às autoridades que fez tudo isso cumprindo ordens diretas do então presidente da República, que seria o mandante do esquema.
Durante as audiências, a defesa de Bolsonaro tem se mantido firma na versão de ele “jamais se apropriou ou desviou quaisquer bens públicos”.
Ainda conforme a Veja, a confissão de Cid, confirmada pelo criminalista Cezar Bitencourt, seu advogado, obviamente, põe essa versão em xeque. Pelos detalhes que ele pretende contar, ficará evidente que o presidente sabia, sim, que, se não todos, ao menos alguns dos procedimentos adotados eram totalmente irregulares, outros criminosos mesmo. A questão do dinheiro, por exemplo. A venda de dois relógios de luxo, um Rolex e um Patek Philippe, rendeu 68 000 dólares à “organização criminosa” que, segundo a Polícia Federal, usou a estrutura do Estado para enriquecimento ilícito.