15/09/2023 13:00
Família suspeita de negligência em morte de rapaz por infecção generalizada em Campo Grande
Vítima passou dois dias com crise de apendicite até conseguir operar: "foi tarde demais", desabafa pai
A família de Anderson Moraes Alexandre, 27 anos, aponta suposta negligência no atendimento do rapaz, que morreu nesta quinta-feira (14), em Campo Grande. Ele foi internado com crise de apendicite e faleceu por infecção generalizada.
O relato é do pai, Geraldo Alexandre, 53 anos. Segundo ele, a luta para salvar a vida do filho começou na segunda-feira (11), quando ele foi levado pela família ao CRS (Centro Regional de Saúde) do bairro Aero Rancho com fortes dores na barriga.
"Um atendimento simples, não diagnosticaram o que era e mandaram para casa", conta o pai.
Na terça-feira, ainda com fortes dores, Anderson passou mal e caiu no banheiro de casa, sendo socorrido às pressas pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel) até a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Leblon.
"Lá, eles fizeram alguns exames e constataram que era uma crise de apendicite, mas não tinha vaga no Hospital Regional, então ele teve que esperar, mesmo em crise de dor", lembra Geraldo.
Assim que amanheceu, na quarta-feira, Anderson foi transferido para o Hospital Regional, onde deu entrada, mas não foi direto à cirurgia e passou por novos exames.
"Se ele já foi encaminhado com diagnóstico, lá já foi sedado pela dor, não entendo porque não fizeram a cirurgia se sabiam do risco de morte. Ainda disseram que precisavam da minha autorização", desabafa o pai.
Antes que os novos exames ficassem prontos, no fim do dia, a mãe do rapaz ligou para Geraldo afirmando que o filho estava morto, o que iria se concretizar horas mais tarde.
"Corri para o hospital, cheguei e vi meu filho sem vida, disseram que ele estava sedado, mas ali já não era mais ele. Fiquei revoltado e falei muita coisa, até que levaram ele para cirurgia", detalha.
A família foi liberada para ver Anderson às 21h. O rapaz respirava por aparelhos e estava envolto em uma manta. Na manhã desta quinta-feira (14), o hospital ligou e informou sobre a morte do rapaz.
"O laudo que me deram era de morte por infecção generalizada. Ele passou dois dias com dores terríveis, chegou ao hospital e não operou na hora, se tivessem agido, ele estaria aqui conosco. Isso é irresponsabilidade, negligência médica, sabiam do que se tratava e, mesmo assim, assumiram o risco e perderam o paciente, agora não temos meu filho aqui", desaba o pai.
A reportagem entrou em contato com o hospital, SES (Secretaria de Estado de Saúde) e Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para posicionamento.
Em resposta sobre o caso o Hospital Regional diz apenas que "conta com uma equipe médica e assistencial altamente qualificada, dedicada a oferecer a mais completa assistência. "Este hospital preza pela privacidade de cada paciente, resguardada pelo princípio do sigilo médico", nada mais.
A Sesau também respondeu sobre o caso e informou que em relação ao atendimento prestado nas unidades de saúde do município todo o suporte possível foi dado ao paciente. "No atendimento inicial não houve o diagnóstico de apendicite ou outra alteração, sendo o paciente estabilizado e recomendado alta com a administração de medicamentos", informou.
Ainda segundo a secretaria, após o retorno, houve o diagnóstico sendo o paciente encaminhado para passar por tratamento complementar na unidade hospitalar.
*Matéria alterada às 11h17 de segunda-feira (18), para acréscimo de informações