Política

09/05/2024 17:00

Corrupção milionária é revelada, mas prefeito 'não sabe nem viu' nada em Três Lagoas

Ângelo Guerreiro diz que licitação foi feita pelo Ministério do Exército

09/05/2024 às 17:00 | Atualizado 09/05/2024 às 17:02 Thiago de Souza
Prefeitura respondeu questionamentos após operação da PF - Reprodução Instagram

Prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro, disse não saber de nada sobre esquema milionário de corrupção em obras da Educação do Município. Polícia Federal fez uma devassa e revelou fraude em licitação e empresas de fachada. 

A operação foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (9) em conjunto com a Advocacia Geral da União. Foram expedidos 20 mandados de busca e apreensão a serem cumpridos em Três Lagoas, Campo Grande, Coxim, Naviraí e Florianópolis (SC). 

Questionada pelo TopMídiaNews, a prefeitura respondeu que nem a pessoa do prefeito nem o Município foram citados no processo e por isso não são parte na investigação. A gestão disse ''não compactuar com qualquer tipo de irregularidade, preza pela legalidade e transparência de seus atos públicos''. 

Sobre o caso em si, a prefeitura respondeu que as obras e serviços executados em unidades da Rede Municipal de Ensino ocorreram por meio de adesão à ata de processo licitatório do Ministério do Exército. 

''... ou seja, a licitação não foi realizada pela Administração Municipal de Três Lagoas, procedimento legal e em conformidade com a Legislação vigente'', diz trecho da nota. A prefeitura detalhou também que a execução do contrato já foi alvo de investigação por parte do MPE-MS, que decidiu pelo arquivamento. 

Sobre os servidores envolvidos, o executivo disse que vai instaurar procedimento administrativo para averiguar a conduta. 

Operação 

Polícia Federal e Controladoria Geral da União deflagraram, na manhã desta quinta-feira (9), operação contra fraudes em licitações na Educação municipal de Três Lagoas e outros crimes. Oitenta policiais saíram às ruas de Três Lagoas, Campo Grande, Coxim e Naviraí, além de Florianópolis para cumprir mandados de buscas e apreensões. 

A investida policial também mira crimes como peculato, apropriação e associação criminosa. Foram 20 ordens judiciais – autorizadas pela 1ª Vara da Justiça Federal de Três Lagoas a serem cumpridas. 

Houve igualmente uma medida cautelar de sequestro e bloqueio de bens de cada um dos indiciados no valor de R$ 23 milhões. A justificativa para a devassa federal se deu, entre outras razões, porque empresas não executavam os serviços contratados pelo Município. 

''Durante as investigações foram encontrados fortes indícios de direcionamento ilícito e antieconômico de contratado administrativo, além de superfaturamento de parte de obras e serviços em unidades de ensino do município de Três Lagoas'', garantiu a força-tarefa. 

A PF acrescentou que também identificou a existência de empresas de fachada e empresas fantasmas, usadas para transações financeiras entre os envolvidos.

O espaço está aberto para manifestação do Ministério do Exército.