Campo Grande

02/02/2026 16:31

Asfalto fantasma? Moradora paga IPTU por pavimentação até em rua de chão no Santa Emília

Cobrança indevida no IPTU gerou revolta em moradores do bairro

02/02/2026 às 16:31 | Atualizado 02/02/2026 às 14:52 Carol Rampi
Reprodução

A cobrança do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano) de 2025 chegou a novos patamares e cobra até o asfalto em ruas onde a infraestrutura passa longe. É o caso de Leila Lopes de Resende, moradora do bairro Santa Emília, em Campo Grande, que foi cobrada como se a rua em sua residência fosse asfaltada, quando, na prática, o local não possui a pavimentação. 

Leila mora em um terreno de esquina, na Rua Internacional, no Jardim Santa Emília, e relata que a situação se repete em diversas ruas do bairro. Segundo ela, o problema não é isolado e atinge várias famílias da região. A moradora levou a questão a Câmara Municipal, por meio do vereador Landmark Rios (PT).

"A indignação da gente é que você paga por uma coisa que você não tem. Se tivesse asfalto aqui, a gente pagaria com gosto, porque estaria desfrutando. Agora, pagar por uma coisa que você não tem fica complicado", afirmou. Ela ainda relatou que o bairro enfrenta problemas constantes ligados a infraestrutura, que pioram durante o período de chuva ou estiagem. 

"Aqui no bairro Santa Emília não sou só eu, não. Tem várias pessoas reclamando. Quando chove é um barreiro, quando é época de poeira ninguém aguenta. As ruas estão intransitáveis, cheias de buracos", disse.

Leila também destacou o impacto da cobrança no orçamento das famílias, especialmente de aposentados. "A gente é aposentado, o salário é pouco. Eu sempre paguei o imposto em dia, nunca devo nada para a prefeitura. Hoje não consigo mais pagar tudo de uma vez, estou pagando parcelado, mas a indignação é pagar por algo que não existe", completou.

Ao receber a denúncia, o vereador afirmou que a situação relatada pela moradora reflete uma distorção grave na política tributária do município e reforça a necessidade de rever os critérios de cobrança do IPTU, especialmente em bairros sem infraestrutura básica.

Landmark também citou os ofícios, indicações e manifestações públicas feitas ao longo do último ano questionando a forma de cálculo do imposto e a ausência de contrapartidas em infraestrutura nos bairros periféricos. Ele também que disse que vai votar para derrubar o veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao projeto da Câmara, vota no dia 12 de janeiro, que suspendeu o decreto de aumento da taxa de lixo.

"Nossa posição continua a mesma, votando pela derrubada do veto. Temos o Projeto de Lei 12.213/25, que prevê aumento no limite de desconto do IPTU para 20%, protocolado no dia 12 de dezembro do ano passado, mas que não andou. Vamos tentar garantir que a proposta tramite este ano e seja aprovada, para que, nos próximos anos, os nossos campo-grandenses não entrem janeiro com uma surpresa desagradável, como foi agora em 2026", afirmou Landmark.