há 5 meses
Luto por Dhiogo: família segue sem respostas 4 meses após morte de soldado no CMO
Recruta morreu nas dependências do Comando, aos 19 anos
A família do soldado Dhiogo Melo Rodrigues, de 19 anos, volta a pedir esclarecimentos sobre a morte do jovem, ocorrida dentro das dependências do CMO (Comando Militar do Oeste), em Campo Grande, em 27 de outubro de 2025. Após quatro meses da morte do recruta, a família afirma que ainda não teve uma resposta do exército.
Em nota enviada ao TopMídiaNews, a família diz que não teve acesso a documentos essenciais para o esclarecimento do caso, como o IPM (Inquérito Policial Militar), laudos psicológicos individuais, testes de aptidão para manuseio de arma de fogo compatíveis com o calibre utilizado e o prontuário médico completo.
Sem os documentos, a família fica impedida de realizar qualquer verificação independente sobre as circunstâncias da morte de Dhiogo, o que amplia a sensação de que o Exército não está conduzindo o caso com a devida atenção.
"Não buscamos conclusões antecipadas, mas o direito básico de acesso à informação e à verdade", afirma a família na nota.
Segundo entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, como o caso envolve morte ocorrida sob custódia do Estado, o que impõe ao poder público maior transparência, apuração rigorosa e prestação de informações aos familiares.
"O exército não responde nada. Minha mãe está muito arrasada, os militares são muito duros com as palavras, não entendem que meu irmão era doente, fazia tratamento", disse ao TopMídiaNews o irmão da vítima, Thiago Melo.
Diante da persistência das omissões, novas medidas jurídicas e institucionais estão sendo avaliadas, inclusive fora da Justiça Militar, para garantir transparência, controle externo e esclarecimento dos fatos. O caso começa a mobilizar a atenção de entidades ligadas a direitos humanos e de veículos de imprensa nacionais, por envolver morte sob custódia estatal e dificuldades prolongadas de acesso à informação.
"Dhiogo entrou vivo no quartel. Quatro meses depois, a família ainda aguarda respostas", finalizou a nota.
O caso
Dhiogo Melo Rodrigues morreu no dia 27 de outubro de 2025, após ser encontrado gravemente ferido em um posto de serviço no aquartelamento do Forte Pantanal, em Campo Grande. Na época, o Comando Militar do Oeste informou que o soldado estava sozinho no local e foi socorrido ao Hospital Militar de Área de Campo Grande, onde não resistiu.
Em nota divulgada no dia seguinte, o CMO afirmou que prestava apoio social, psicológico e espiritual à família e que um Inquérito Policial Militar seria instaurado para apurar as circunstâncias do ocorrido.
A conclusão do IPM, agora contestada pela família, encerra a apuração administrativa militar, mas não impede o avanço de outras medidas nas esferas judicial e ministerial.