há 3 meses
Tereza Cristina desacelera tramitação do fim da escala 6x1 para 'debate responsável'
A senadora defende os interesses do agronegócio e articula para diminuir ritmo da proposta
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu um debate “responsável e equilibrado” sobre o fim da escala de trabalho 6x1, tema que deve dominar o Congresso Nacional nas próximas semanas.
A declaração foi feita após reunião realizada na segunda-feira (2) no Conselho do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo a parlamentar, o encontro discutiu os possíveis impactos da proposta em tramitação no Legislativo. Também participou da reunião a presidente do Conselho Superior de Relações do Trabalho da entidade, Maria Cristina Mattioli.
“Tivemos uma reunião produtiva para discutir, de forma responsável, o fim da escala 6x1. Vamos promover um debate sério e justo, considerando o bem-estar dos trabalhadores e os interesses do país”, afirmou.
A senadora também relatou que conversou com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que se reuniu com representantes do setor produtivo. O grupo pediu que propostas sobre o tema não avancem de forma acelerada no Congresso.
Durante encontro realizado na terça-feira (3), empresários entregaram ao presidente do Senado uma carta pedindo mais tempo para análise das propostas que tratam do fim da jornada 6x1. O documento defende que o tema seja debatido fora do ambiente eleitoral, para permitir a construção de “consensos duradouros”.
A reunião foi articulada pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e contou com a participação de parlamentares de diferentes espectros políticos, incluindo Tereza Cristina.
Na Câmara dos Deputados do Brasil, a proposta que trata do tema tramita na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e reúne iniciativas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
As duas PECs preveem a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas, sem redução salarial. A principal diferença está no modelo: Hilton propõe a escala 4x3 (quatro dias de trabalho e três de descanso), enquanto Lopes defende o formato 5x2.
Representantes da indústria e do comércio são contrários à mudança, mas já discutem possíveis adaptações. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) intensificou a articulação junto ao Congresso diante da possibilidade de votação ainda no primeiro semestre.
Segundo a entidade, a redução da jornada pode gerar aumento de custos de até 20,7% com trabalhadores formais, além de riscos de desemprego e perda de competitividade.
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a expectativa é votar a proposta até maio.