11/03/2026 12:12
Gaeco deflagra Operação 'Pombo Sem Asas' contra esquema de drogas e celulares em presídios
Os detentos coordenavam a logística dos arremessos dos itens de dentro do presídio
O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), por meio do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), deflagrou na manhã desta quarta-feira (11) a Operação “Pombo Sem Asas”. A ação tem como objetivo desarticular um núcleo de facção criminosa que atuava no Estado, principalmente em unidades prisionais de Campo Grande.
Segundo o MPMS, a organização criminosa atuava no tráfico de drogas e utilizava a corrupção de um policial militar para facilitar a entrada de entorpecentes e aparelhos celulares no complexo penitenciário da Capital.
As investigações apontaram que o esquema funcionava mediante o pagamento de propina a um servidor responsável pela vigilância externa em torres do presídio. Ele teria recebido vantagens financeiras de internos e familiares ligados à facção para permitir o arremesso de pacotes contendo drogas e celulares por cima dos muros da unidade.
Ainda conforme a apuração, os detentos coordenavam a logística dos arremessos de dentro do presídio, enquanto integrantes da organização que estavam em liberdade realizavam a entrega dos materiais ilícitos do lado de fora.
O grupo também utilizava contas bancárias próprias e de terceiros para movimentar valores do tráfico e realizar pagamentos de subornos. Além disso, a rede criminosa articulava o envio de entorpecentes para outros estados do país.
Ao todo, estão sendo cumpridos 35 mandados de prisão preventiva e 24 mandados de busca e apreensão em Campo Grande e nos estados de São Paulo, Mato Grosso e Rio Grande do Norte.
A investigação contou com apoio da Corregedoria-Geral da Polícia Militar e da Gerência de Inteligência Penitenciária da Agepen. As diligências também contam com suporte operacional da Polícia Militar, por meio de equipes do Batalhão de Choque, Batalhão de Operações Especiais (Bope) e das Forças Táticas do 1º Batalhão e da 5ª Companhia Independente de Polícia Militar.
O nome da operação, “Pombo Sem Asas”, faz referência ao termo usado pelos criminosos para identificar os pacotes com drogas e celulares lançados para dentro do presídio, conhecidos como “pombos”, seja por arremessos manuais ou com o uso de drones. A operação busca justamente interromper esse fluxo de materiais ilícitos e enfraquecer a comunicação da organização criminosa com o exterior.