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24/03/2026 13:05

Será que Carlo Ancelotti conseguirá acabar com a seca de 24 anos do Brasil na Copa do Mundo?

24/03/2026 às 13:05 | Atualizado 31/03/2026 às 18:16 TopMídiaNews
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O Brasil conquistou a Copa do Mundo pela última vez em 2002. Desde aquele triunfo no Japão e na Coreia do Sul, construído em torno de Ronaldo, Ronaldinho e Rivaldo, cinco edições se passaram sem que uma sexta estrela fosse adicionada à famosa camisa amarela.

A questão agora, com o torneio retornando ao solo norte-americano neste inverno e Carlo Ancelotti no banco de reservas, é se a longa espera está finalmente prestes a terminar. Para quem fizer uma aposta na Betfair no vencedor geral, o Brasil está entre os favoritos, mas a história das últimas duas décadas exige cautela antes de tratar esse status como certeza.

24 anos de sofrimento

O padrão desde 2002 tem sido doloroso e consistente. Eliminações nas quartas de final em 2006, 2010 e 2018. Uma humilhação por 7 a 1 em casa contra a Alemanha na semifinal de 2014, o resultado mais chocante da história moderna do torneio.

E em 2022, outra derrota nas quartas de final, desta vez nos pênaltis para a Croácia, com Neymar marcando um belo gol de empate, mas vendo a vantagem escapar na prorrogação. O Brasil não ficou simplesmente aquém nas finais. A seleção falhou repetidamente em chegar às semifinais, perdendo para adversários europeus nos momentos decisivos com uma regularidade que se tornou a característica marcante de sua era pós-2002.

Cada fracasso gerou uma mudança de técnico, uma reformulação tática, uma tentativa de conciliar as exigências do futebol de torneios modernos com as tradições criativas que o futebol brasileiro tanto preza. Nada disso funcionou. A contratação de Ancelotti em maio de 2025, substituindo Dorival Júnior após uma derrota por 4 a 1 para a Argentina, representou um tipo de resposta genuinamente diferente: o primeiro técnico estrangeiro da história do Brasil.

Por que Ancelotti muda a equação

O argumento a favor de Ancelotti não é simplesmente o fato de ele ser um técnico altamente condecorado, embora isso ajude. É a natureza específica de seus pontos fortes. Ele não impõe sistemas rígidos a jogadores talentosos. Ele se adapta ao elenco disponível, constrói confiança com as estrelas individualmente e cria ambientes onde a autoconfiança floresce. Ele treinou Vinícius Júnior no Real Madrid e é amplamente reconhecido por ter despertado a melhor versão de um jogador que historicamente teve um desempenho abaixo do esperado pela seleção brasileira. Essa relação, restabelecida no contexto da seleção nacional, pode ser decisiva.

Seu histórico desde que assumiu o cargo tem sido misto, mas não alarmante. Quatro partidas das eliminatórias renderam duas vitórias, um empate e uma derrota. Os resultados dos amistosos variaram de vitórias convincentes sobre a Coreia do Sul e o Senegal a derrotas contra o Japão e um empate com a Tunísia. Mas as vitórias e derrotas são menos importantes do que a clareza que Ancelotti trouxe: funções definidas, escalações consolidadas, uma hierarquia clara no elenco e um técnico que já esteve nesta fase da competição antes e venceu.

A confiança da CBF é tanta que as negociações para prorrogar seu contrato até a Copa do Mundo de 2030 já estão avançadas. Esse contexto é importante. Não se trata de um técnico se preparando para uma última aposta. É o início de um projeto mais longo, e a pressão do torneio imediato é equilibrada por uma estrutura de longo prazo.

O argumento do elenco

O pool de talentos do Brasil é o mais forte desde 2002 e, possivelmente, mais profundo. Vinícius Júnior e Raphinha oferecem uma ameaça pelas pontas que poucas seleções conseguem igualar. João Pedro emergiu como um dos atacantes em melhor forma no futebol europeu. O meio-campo, construído em torno de Bruno Guimarães e Casemiro quando ambos estão em forma, possui a combinação de disciplina defensiva e impulso ofensivo que os sistemas de Ancelotti exigem. Líderes defensivos como Marquinhos e Gabriel Magalhães oferecem o tipo de solidez organizada que faltava às seleções brasileiras anteriores.

Lesões importantes de Rodrygo e preocupações contínuas com a condição física de Guimarães e Éder Militão representam um risco real, mas mesmo levando isso em conta, a variedade de opções é excepcional. Para quem faz apostas de futebol sobre quais nações têm os elencos mais fortes, o Brasil deve estar no topo de qualquer lista bem informada.

Os argumentos contra

A seca de 24 anos não é puramente um problema de talento. É um problema de temperamento em torneios. O Brasil teve jogadores brilhantes em cada um desses ciclos. O que faltou foi a capacidade de lidar com o futebol de mata-mata contra adversários europeus de elite, que os derrotaram em cinco desses seis torneios. Ancelotti tem experiência suficiente para saber que a preparação é uma coisa e a realidade de um confronto nas quartas de final contra a França ou a Espanha é outra completamente diferente.

Seu histórico em jogos eliminatórios em nível de clubes é excepcional. Mas torneios internacionais são diferentes: janelas de preparação mais curtas, jogadores chegando das temporadas dos clubes com níveis variados de condicionamento físico e o peso das expectativas de uma nação inteira comprimido em 90 minutos. O Brasil já desmoronou sob esse peso antes.

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As condições são mais favoráveis do que em qualquer momento desde 2002. Um técnico de classe mundial, um elenco talentoso e com profundidade, e a vantagem psicológica de jogar em um continente onde o Brasil historicamente tem tido um bom desempenho. Eles enfrentam Marrocos, campeão africano de forma controversa, Haiti e Escócia na fase de grupos, um caminho tranquilo para as oitavas de final.

Se Ancelotti conseguirá finalmente superar a barreira das quartas de final e ir além depende de fatores que só ficarão claros em junho. Mas, pela primeira vez em duas décadas, a questão parece genuinamente em aberto, em vez de retórica. O Brasil pode vencer isso. A seca pode acabar. Se isso acontecerá definirá o legado de Ancelotti em um dos trabalhos mais exigentes do futebol.