30/03/2026 15:31
Avô de criança morta após acidente suspeita de negligência médica e omissão dos pais
Segundo denúncia, a menina teria sido liberada mais de uma vez do hospital
O avô da criança de apenas um ano e sete meses que morreu após ser atropelada por um motociclista na Rua Zulmira Borba, localizada no Bairro Nova, em Campo Grande, na última quinta-feira (26), suspeita que houve negligência da Santa Casa e dos próprios pais da menina.
No boletim de ocorrência, registrado pelo homem, mostra que a menina foi levada a Santa Casa na noite de quinta-feira, durante a noite, mas que recebeu alta médica logo em seguida. A condição de saúde da menina piorou e ela foi mais um vez levada ao hospital, onde permaneceu internada, mas também recebeu alta dias depois. Segundo o avô, a alta ocorreu sem que ela estivesse em condições de saúde adequadas.
A mãe da criança compareceu a Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol e relatou que a menina passou pela Santa Casa no dia 27, vindo a receber alta em seguida, porém na manhã de 28 de março ela começou a passar mal novamente, com episódio de palidez, febre alta e vômitos.
Ela teria levado a menina a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Coronel Antonino, que a partir de exames de Raio-X do tórax, constataram uma costela quebrada. A menina também fez um exame de raio-X da cabeça, entretanto a médica responsável não informou o resultado do exame.
A criança foi intubada na UPA e depois transferida para a Santa Casa, onde veio a óbito na noite de 28 de março.
Restrição
Na sexta-feira, após saber do acidente, o avô foi ver a menina na Santa Casa, e viu que a menina apresentava diversos ferimentos no rosto, boca e cabeça, que também estava inchada. Ao questionar a equipe médica sobre exames, foi informado que era preciso aguardar o período de jejum para realizar. No mesmo dia a menina recebeu a alta e foi levada para casa.
Já no sábado, dia do óbito, o homem tentou ver a menina na casa do filho, mas não foi recebido pelo casal. Ao saber que a neta foi novamente encaminhada a Santa Casa, ele foi até o hospital, mas foi barrado de realizar visita, por ordem dos pais, que 'restringiram acesso às informações da paciente'.
O avô também desconfia das atitudes do genitor da criança, que além de restringir as informações hospitales, também não quis relatar a polícia o ocorrido.
O acidente
Conforme o boletim de ocorrência registrado pelo avô da menor, ela estava com os pais em uma praça da região quando foi atingida pela moto, conduzida por um amigo do casal que estava fazendo manobras perigosas.
Ao ser questionado sobre o condutor, o genitor da menor se recusou a passar informações para a polícia, como uma forma de proteger o autor do acidente.
Além disso, outras informações apontam para maus-tratos dos pais contra a menor, uma vez que ela apanharia com frequência dos genitores, que são usuários de drogas e não teriam uma vida estável.
“Essa criança nasceu com poucas chances de chegar à adolescência. A genitora agredia constantemente; o genitor é irresponsável e usuário. Como essa gente consegue dormir? Pergunto onde está Deus que permite tanto sofrimento das crianças?”, detalhou uma mulher.
Em nota oficial a Santa Casa informou que, em cumprimento da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), não fornece informações sobre pacientes, principalmente em casos envolvendo crianças menores de um ano ou situações de óbito.
"Essa medida reforça o compromisso da instituição com a privacidade e a proteção dos dados sensíveis de todos os atendidos".
O caso está sendo investigado pelas autoridades para identificar o suspeito do acidente e também as denúncias de maus-tratos contra a menor.