há 2 meses
Aposentada faz empréstimo para pagar exames em falta nos postos de Campo Grande (vídeo)
Denúncia aponta interrupção total de atendimentos e compra de materiais por conta própria
O atendimento na rede pública de saúde de Campo Grande durante a gestão Adriane Lopes (PP) voltou a ser alvo de crítica e denúncia. Desta vez, uma paciente em tratamento contínuo teve que tirar quase R$ 600 do próprio bolso para pagar por um exame particular, após o mesmo ser suspenso em uma unidade de saúde do Nova Lima por falta de materiais básicos.
Conforme o relato encaminhado à nossa equipe de reportagem, a paciente precisava realizar exames laboratoriais: sangue, urina e outros, relacionados à glicemia e função renal. Entretanto, ao buscar atendimento para isso, foi informada de que não havia nem sequer coletores, sendo, assim, orientada a comprar esses itens por conta própria. “Não tinha recipiente para coletar urina. Tivemos que comprar. Também não tinha o galão para exames dos rins, então tivemos que comprar também”, relatou a familiar responsável pelo acompanhamento.
Isso já seria ruim o suficiente, não fosse o fato de que, após comprar os materiais, a situação ficou ainda pior: ao tentar remarcar os exames em uma clínica da família na região, a denunciante afirma que foi surpreendida com a suspensão total dos exames. “Quando fui remarcar, o atendente disse que não estava fazendo nenhum dos exames porque não tinha material. Ele falou que teria que esperar”, contou.
Ela explica que a informação foi dada apenas de forma verbal, sem qualquer aviso oficial por escrito ou outra forma de comunicação documentável. Apesar disso, em um dos pedidos médicos, há anotações feitas à mão indicando a necessidade de compra de coletores de urina, o que reforça a alegação.
Diante de toda essa situação e devido ao fato - grave - de ser uma paciente oncológica, a família decidiu "se virar" para arcar com os custos dos exames em clínicas particulares, chegando a desembolsar, sem planejamento prévio, o valor de R$ 560, considerado alto para ela, que é aposentada, recebe apenas um salário mínimo, e precisou fazer um empréstimo para fazer os exames de urgência, conforme relatou a denunciante ao TopMídiaNews. "É muito descaso com quem não tem condições de pagar”, desabafou.
A denúncia levanta questionamentos sobre o abastecimento de insumos básicos nas unidades de saúde e a continuidade de atendimentos essenciais na rede pública.
A reportagem entrou em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para esclarecimentos sobre o caso, mas, até o fechamento desta matéria, não obteve retorno.