Saúde

há 3 meses

Surto de meningite em escola deixa pais desesperados no Noroeste: 'vários casos'

Familiares acusam direção e coordenação de 'cruzarem os braços', diante surto

02/04/2026 às 11:00 | Atualizado 02/04/2026 às 13:01 Carol Rampi
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Pais de alunos da Escola Municipal Senador Rachid Saldanha Derzi, localizada na Rua dos Irmãos, no Jardim Noroeste, em Campo Grande, estão revoltados e apreensivos diante da suspeita de um surto de meningite na unidade escolar.

Segundo relatos enviados à reportagem do TopMídiaNews, há casos confirmados da doença entre estudantes, e o primeiro registro seria de um menino de apenas cinco anos, que está internado desde o dia 16 de março. Conforme os pais, o quadro seria de meningite considerada grave, o que aumentou ainda mais o medo de contágio entre as famílias.

Uma foto do atestado de acompanhante do estudante mostra um CID G03.9, que significa 'Meningite não especificada', uma inflamação das membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal (meninges), em que o agente causador (bacteriano, viral, fúngico ou outros) não foi identificado.

As mães relatam desespero e afirmam que, apesar da gravidade da situação, a direção da escola não teria tomado medidas como a suspensão das aulas. "A partir de quinta-feira (2), não haverá aula, mas na segunda-feira (6) retorna tudo ao normal É como se estivéssemos mandando nossos filhos para a forca. Se a bactéria está lá circulando e ninguém tomou atitude, vamos arriscar?", questiona uma mãe.

Ainda conforme os relatos, a diretora teria informado que comunicou a situação à Semed (Secretaria Municipal de Educação), após pressão dos pais, que pediram a paralisação temporária das atividades por medo de contágio.

Os responsáveis afirmam que estão se mobilizando entre vizinhos e outros pais para cobrar providências. "Estamos passando a informação para todo mundo para ver se tomam uma atitude. É uma doença séria", diz o relato da mãe.

O clima na comunidade escolar é de revolta. Há pais que temem manter os filhos em casa por receio de possíveis consequências relacionadas à frequência escolar. "Os pais estão com medo até do Conselho Tutelar, com receio de perder benefícios sociais por causa das faltas", relata uma mãe.

Alguns responsáveis também criticam a postura da direção da unidade. "A diretora não toma nenhuma providência. As crianças continuam indo para a escola e os pais ficam nesse desespero. Não é possível que outros funcionários não possam falar nada", desabafa.

Além disso, moradores do bairro afirmam que há outras suspeitas de casos na região do Jardim Noroeste, o que aumenta ainda mais a preocupação com a possível circulação da doença.

Caso grave

Conforme relato da mãe da criança que está internada com a doença, ele teria ido à escola normalmente. Entretanto, no decorrer do dia, ela foi acionada pela unidade de ensino para buscar a criança, que apresentava vômito e diarreia No outro dia, a criança teve uma febre aguda e reclamava de dores de cabeça; no dia seguinte, o músculo do pescoço ficou 'travado'. 

"Levei à UBS (Unidade Básica de Saúde) do Jardim Noroeste, e, durante a consulta, a médica foi tentar levantá-lo e não conseguiu, o pescoço estava duro, não conseguia se movimentar. Ela me disse que era suspeita de meningite e também me colocaram no isolamento", relatou. 

Os dois foram transferidos para o Hospital Regional, onde a suspeita de meningite aumentou, mas não foi confirmada inicialmente devido ao grave quadro da criança, que estava com as plaquetas em queda. "Fizeram teste de covid, dengue, e ele tomou muitos antibióticos para evitar a transmissão". 

A criança ficou internada até a quarta-feira (31). "Meu filho estava grave, até a médica disse que nunca tinha visto um estado desse, grave. Mesmo tomando antibiótico, ele precisou tomar morfina pela dor. E os médicos também estavam preocupados pelo cérebro, pelas sequelas". 

Omissão da escola

O casal possui outra filha que também estuda na mesma escola e que permaneceu durante uma semana em casa, já que eles temiam uma infestação. O pai então questionou a diretora sobre as providências a serem tomadas pela escola sobre a doença, já que eles acreditam que a doença foi transmitida na unidade, mas receberam apenas uma negativa. 

"Ela disse que não havia pais questionando sobre o caso, e que seria obrigação da médica relatar sobre o caso de meningite. Perguntei para ela, que negou, disse que é de responsabilidade da diretora relatar aos pais e responsáveis sobre um positivo para meningite e um dos alunos, e ela não relatou", explicou a mãe. 

"Acho que, se teve um caso de meningite na escola, ela deveria ter relatado, porque, se alguma criança sentir os sintomas, os pais precisariam relatar aos médicos", complementa. "A diretora foi descuidada. É muito provável que meu filho tenha pegado da escola". 

A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande e com a Semed para saber se há confirmação dos casos, quais medidas estão sendo adotadas e se existe orientação das autoridades de saúde sobre a manutenção das aulas, mas, até o fechamento da matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.