10/04/2026 17:00
Show e morte: Guns expõe falhas da administração de Campo Grande
Também houve registro de morte, que será apurada pela Polícia Civil
Cenas lamentáveis com fãs caminhando quilômetros para chegarem ao show do Guns N' Roses, na noite desta quinta-feira (9), tem a digital da prefeitura de Campo Grande. Um dos pontos observados por quem esteve no evento e ficou à deriva, foi a falta de investimento em transporte coletivo para reduzir volume de veículos na saída para Três Lagoas.
Conforme apontamentos feitos por fãs e jornalistas que cobriram o evento, a prefeitura não promoveu transporte coletivo para levar fãs ao local, o Autódromo Internacional de Campo Grande, na BR-262, saída para São Paulo. E isso fez uma baita diferença, garantem. O trecho pertinente à prefeitura vai até o final da Avenida João Arinos, que depois vira BR-262.
Os presentes citam eventos como o Rock In Rio, de magnitude gigantesca - que teve como mérito investir no transporte em veículos maiores para reduzir a presença de carros de passeio. No caso de Guns na Capital, a lentidão do trânsito era percebida desde o final da Rua Joaquim Murtinho - altura da Escola Estadual Hércules Maymone até, obviamente, a entrada do autódromo.
''Poderia criar uma pista exclusiva para ônibus ou permitir o tráfego deles pelo acostamento'', sugeriu uma das pessoas que acompanhou a movimentação dos fãs. Depois lamentou:
''Os ônibus [particulares] ficaram presos junto com os carros'', desabafou a testemunha.
Parte do público seguiu a pé para o show (Foto: Repórter Top)
Outras sugestões foram aventadas, como a adoção de um sistema ‘’Pare e Siga’’ mais prolongado e não o que foi realizado, com tempo curtíssimo para passagem. Até a criação de um contra-fluxo com prioridade para os veículos que vinham de Campo Grande para o autódromo também foi cogitada. Também houve apontamentos de que isso seria inviável, porque parte do trecho é dividido por muros de concreto.
Porém, em que pesem as divergências nas sugestões, a unanimidasde fica por conta da falta de planejamento. E isso envolve não só a prefeitura - por meio da Agetran - mas também órgãos federais como o DNIT e a Polícia Rodoviária Federal.
Atraso
Conforme o Google Maps, a distância entre o final da Rua Joaquim Murtinho - altura da Rua dos Vendas - até o Autódromo, é de cerca de 15Km. Em condições normais, a viagem é feita em 20 minutos. Mas em momentos antes do show, consumiu até três horas dos motoristas.
''Teve gente que desistiu do show'', lamentou uma jornalista. Outors foram a pé, mesmo com dois ou três quilômetros para o destino. Foi dito que dezenas de véiculos foram ''largados'' a uma distânica muito grande do local da apresentação.
Outro grande detalhe é que o Guns subiu ao palco com 1h30 de atraso (às 22h em vez de 20h30), justamente por conta do atraso no deslocamento. Mesmo assim, muitos perderam o evento. Quem foi garante que até 30% de quem comprou ingresso não conseguiu entrar.
''Na frente estava lotado, mas lá no fundo tinha espaço grande'', comentou uma jornalista.
Local onde ocorreu show do Guns na Capital (Foto: Berlim Caldeirão)
Morte
Homem que estaria trabalhando como ambulante, morreu no autódromo de Campo Grande, durante o show que ocorria no local. Informações preliminares dão conta que ele começou a convulsionar repentinamente, o que chamou a atenção de pessoas que aguardavam na fila para entrar no show.
Testemunhas relataram que o público passou a gritar por ajuda aos agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que estavam próximos e iniciaram os primeiros socorros. O Corpo de Bombeiros foi acionado e realizou manobras de ressuscitação. Apesar dos esforços, o homem não resistiu e morreu ainda no autódromo.
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