Campo Grande

24/04/2026 09:30

'Parecia abandonado': pacientes enfrentam horas de espera e cenário de caos na UPA do Aero Rancho

Relato descreve idosos no chão, gestante do lado de fora e atendimento interrompido por troca de plantão

24/04/2026 às 09:30 | Atualizado 24/04/2026 às 08:45 Sarai Brauna
Repórter Top

O que era para ser uma consulta rápida se transformou em mais de seis horas de angústia para uma moradora de Campo Grande. Ela esteve na UPA do Aero Rancho e descreveu a experiência como revoltante. Chegou por volta das 13h30, em busca de atendimento para o marido, mas só foi chamada às 20h desta quarta-feira (22).

Durante a longa espera, o que mais pesou não foi apenas o tempo, mas o cenário ao redor: pacientes exaustos, alguns deitados no chão, outros espalhados pelos corredores, todos à espera de um atendimento que parecia não chegar. “Não era só a demora. Era a forma como as pessoas estavam ali, doentes, sem amparo”, relatou.

A moradora acompanhava o marido, que apresentava febre alta e não conseguia permanecer sentado por muito tempo. Entre tentativas de aliviar o desconforto, ele alternava entre ficar dentro e fora da unidade, visivelmente debilitado.

Segundo ela, a situação se agravou no início da noite. Por volta das 18h, os atendimentos médicos teriam sido interrompidos devido à troca de plantão. Durante esse período, apenas a triagem continuava sendo realizada. “Perguntei quantos médicos estavam atendendo e me disseram que nenhum. Falaram que voltariam às 19h”, contou.

Enquanto isso, o fluxo de pacientes não parava. Pessoas continuavam sendo chamadas para a triagem, mas poucas seguiam para consulta, o que aumentava ainda mais a sensação de demora e desorganização. Pacientes classificados com menor urgência, como os de ficha verde, acabavam ficando para trás, mesmo tendo chegado horas antes.

“A gente via mais gente passando na frente, enquanto quem estava ali desde cedo continuava esperando. Era desesperador”, disse.

Mesmo após ser atendida, já à noite, a sensação não foi de alívio completo. Ao deixar o local, a moradora afirma que muitas das pessoas que estavam ali desde a tarde continuavam aguardando, nas mesmas condições. “Não era só sobre a gente. Era sobre todo mundo ali, doente, cansado, sendo tratado com descaso”, desabafou.

A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde para esclarecimentos sobre a situação e aguarda retorno.

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