07/05/2026 13:00
Falta de agulhas para anestesia deixa gestante esperando horas por parto no Regional
Mulher ainda ficou em jejum por mais de 17 horas na promessa de realização do procedimento
A falta de agulhas para a realização de uma raquianestesia, procedimento utilizado em gestantes na hora do parto, deixou Ana Karla Leal esperando mais de 24 horas no Hospital Regional, em Campo Grande, pelo parto da filha. Mesmo que o nascimento tenha ocorrido sem intercorrências, Ana questiona a falta de itens básicos em um dos maiores hospitais da cidade.
Para o jornal TopMídiaNews, ela relatou que fez todo o pré-natal no hospital e foi até a unidade para completar o ciclo de acompanhamento. Entretanto, no dia 3 de maio, data agendada previamente para o parto após as 39 semanas, descobriu-se que o local não possuía o item básico para a cesárea, que são as agulhas para aplicação da anestesia.
“Fui internada no sábado (2), às 19h30, quando comecei o jejum. Fiquei sem comer por mais de 17 horas esperando a minha vez de fazer a cesárea e, quando chegou a minha vez, falaram que acabaram as agulhas para anestesia. Parecia brincadeira até”, relata.
Na segunda-feira (4), passadas 24 horas de internação, mais uma decepção: o instrumento estava novamente em falta. “Eu continuei na promessa de que seria a próxima, até acabar de novo as agulhas e eu ficar novamente para trás no atendimento”.
Cansada emocional e fisicamente, Ana pensou em desistir do atendimento e tentar vaga em outro hospital; porém, a equipe médica insistiu e lutou para que o parto acontecesse sem intercorrências.
“Eles não têm culpa de tudo que aconteceu, foram maravilhosos comigo. A médica ficou o tempo todo tentando me acalmar, pediu para eu não ir embora e foi ela quem conseguiu a agulha para o procedimento, porque viu que eu estava há mais de 24 horas esperando. Só não fui embora por causa do atendimento da equipe.”
Mesmo com todas as intercorrências, a pequena Mariana nasceu saudável. Entretanto, para Ana, o descaso do hospital foi marcante durante o processo de parto.
“Foi um sufoco, ainda mais pela questão da gravidez de alto risco. A minha indignação é um hospital desse tamanho acabar com a agulha para anestesia por duas vezes em menos de 24 horas”. A paciente chegou a ouvir dos médicos que, caso chegasse algum caso grave, o parto não poderia ser feito no local, devido à falta do instrumento.
“Isso é um absurdo. Eu tinha como esperar, não estava sangrando, não tinha nada, por mais que minha gravidez fosse de alto risco. Mas, se chegasse alguém morrendo, iria morrer, porque nem para fazer uma cirurgia tinha agulhas”.
A reportagem entrou em contato com o Hospital Regional sobre o caso e aguarda retorno. O espaço segue aberto para futuro posicionamento.