Saúde

14/05/2026 17:32

Fiscalização encontra mais de mil remédios vencidos na Clínica Canela (vídeo)

Local ainda funcionava com alvará vencido e suspeita de venda casada

14/05/2026 às 17:32 | Atualizado 15/05/2026 às 09:54 Carol Rampi
Médico Jonathas Canela, proprietário da clínica, que será investigado - Redes Sociais/Kleber Clajus-ProconMS

A Vigilância Sanitária de Campo Grande apreendeu 1.294 unidades de medicamentos vencidos e impróprios para o consumo, incluindo soro fisiológico, no depósito da Clínica Canela, localizada na Rua Joaquim Murtinho, região central da Capital, durante operação de fiscalização realizada na manhã desta quinta-feira (14).

No local, produtos vencidos e dentro do prazo de validade eram estocados em conjunto, em um espaço identificado por uma funcionária como o depósito pessoal de um médico da unidade. Ela foi encaminhada para prestar depoimento na delegacia e, posteriormente, detida.

Dentre as irregularidades constatadas pelo CRM, destacam-se a presença de medicamento antiarrítmico vencido, insumos faltantes no carrinho de emergência da sala de aplicação, prescrição inadequada de terapia hormonal e o uso de publicidade que induz o paciente ao erro ao indicar especialidades médicas que a equipe clínica não possui.

O Procon identificou que o alvará de localização e funcionamento estava vencido, além da realização de publicidade enganosa, pois a clínica induzia o consumidor a acreditar que utilizaria um produto de marca industrializada quando, na verdade, aplicava uma versão manipulada.

"Também foi configurada a venda casada, onde médicos prescreviam produtos e os encaminhavam diretamente para produção em laboratório de manipulação, não dando ao consumidor a liberdade de adquiri-los na farmácia de sua preferência", informou o órgão.

A fiscalização foi feita em conjunto com equipes do Procon de MS e do CRM (Conselho Regional de Medicina), após denúncia de um laboratório farmacêutico irregular na clínica, além de publicidade enganosa em propagandas promovendo canetas emagrecedoras. Decon (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo) e a Perícia Científica também estiveram no local.

A clínica possui agora prazos diferenciados para apresentar sua defesa junto aos órgãos participantes da fiscalização. O Procon concedeu 20 dias para que o estabelecimento encaminhe seu posicionamento oficial sobre as irregularidades constatadas no local.