23/05/2026 07:00
Impunidade de acusada de maltratar idosos em casa de repouso pode ter fim após 5 anos
A Justiça de Campo Grande marcou a audiência para julgar o envolvimento da ex-presidente da instituição Casa do Aconchego, Suely Gomes dos Santos, para o dia 27 de maio
Mesmo após anos das primeiras denúncias de supostos maus-tratos contra idosos na Casa do Aconchego, em Campo Grande, familiares e pessoas que acompanharam o caso ainda convivem com o sentimento de impunidade e aguardam um desfecho judicial para a situação.
A expectativa voltou a ganhar força diante da audiência, marcada pela Justiça para o dia 27 de maio de 2026, envolvendo a ex-presidente da instituição, Suely Gomes dos Santos, acusada pelo MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) de cometer abusos contra idosos que viviam no local, no Bairro Taveirópolis.
O caso ganhou repercussão em 2021, após denúncias feitas por familiares de internos e confirmadas durante investigações conduzidas pelo MPMS. Segundo os relatos, idosos teriam sido vítimas de tratamento inadequado, especialmente pacientes com transtornos psiquiátricos e em processo de demência.
Na época, familiares perceberam mudanças bruscas de comportamento em uma idosa internada na instituição e procuraram ajuda. Conforme os autos do processo, além dos supostos maus-tratos, havia pressão para que alguns familiares retirassem os idosos do local.
Funcionários ouvidos durante as investigações afirmaram que a então responsável pela casa não teria preparo para lidar com idosos em situação de vulnerabilidade. Vídeos de câmeras de segurança anexados ao processo mostrariam episódios considerados agressivos e recorrentes.
Diante das denúncias, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou o afastamento imediato de Suely da direção da instituição, além de impor distância mínima de 300 metros dos idosos atendidos pela casa de repouso.
Poucos dias depois, a ex-presidente tentou colocar a investigação em sigilo, alegando medo diante da repercussão do caso e de manifestações públicas contra ela. O pedido, no entanto, foi negado pela Justiça, que entendeu que processos envolvendo interesse social devem ter transparência.
Na decisão, o magistrado destacou que a publicidade dos atos processuais é regra e observou que funções que impactam diretamente a sociedade precisam ser exercidas com clareza perante a população.
Agora, anos após a divulgação das denúncias, pessoas que acompanharam o caso esperam que a audiência represente um avanço concreto e traga respostas sobre as acusações envolvendo a instituição de longa permanência.
A reportagem deixa o espaço aberto para manifestação da defesa da ex-presidente da Casa do Aconchego.