Polícia

há 3 semanas

Abalada, família de Vanessa acompanha júri de João Agusto e cobra rigidez na pena

Irmã da vítima e madrinha de Sophie, Wesla Eugenia, lembrou dos sonhos interrompidos pela violência cometida pelo réu

27/05/2026 às 10:30 | Atualizado 27/05/2026 às 11:10 Brenda Souza e Méri Oliveira
Wesla acompanha julgamento no Fórum em Campo Grande - Gabriel do Carmo

“A justiça de Deus é o que a gente espera”, disse a irmã de Vanessa Eugênia Medeiros sobre a dor da família diante da morte da jovem e da bebê Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses, vítimas de um duplo feminicídio que chocou Mato Grosso do Sul e ganhou repercussão nacional. O réu do crime, João Augusto Borges de Almeida, começou nesta quinta-feira (27), em Campo Grande.

Abalada, Wesla Kenia Lima Eugenia Prado lembrou dos sonhos interrompidos pela violência. Madrinha de Sophie, a mulher afirmou que a família idealizava o futuro da criança desde o nascimento. “Quando a gente tem uma menina na família, ela vira a princesa. E ela era uma princesa. A gente já sonhava até com os 15 anos dela”, declarou.

A familiar também cobrou uma condenação severa para João Augusto. Segundo ela, a expectativa é de que o réu responda pelo peso dos crimes cometidos.

“Que a justiça seja feita. Que o peso do que ele fez seja cobrado dele. Acho que a justiça do homem é o que a gente pode mostrar. E a justiça de Deus é o que a gente pode esperar”, afirmou.

O júri popular acontece um ano após o crime que provocou forte comoção em Campo Grande. João responde por duplo feminicídio qualificado e ocultação de cadáver. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e depois esganou a própria filha antes de carbonizar os corpos em uma área afastada da Capital.

As duas primeiras testemunhas reforçaram a tese da acusação de que o crime teria sido premeditado.

A segunda testemunha ouvida, um ex-colega de trabalho do acusado, afirmou que João comentou dias antes do assassinato que queria matar Vanessa e Sophie. Segundo o depoimento, ele chegou a perguntar ao rapaz se ele “fazia o corre”, em referência a matar pessoas, alegando que a companheira “não deixava ele fazer nada”.

O colega relatou ainda que, no dia do crime, João saiu mais tarde para o almoço, voltou dizendo apenas “tá feito” e apresentava machucados nas mãos e arranhões no pescoço. Horas depois, passou a insistir para que ele ajudasse a “desovar” os corpos, afirmando por mensagens que as vítimas estavam dentro do carro e “já estavam fedendo”.

Ainda conforme o depoimento, o acusado dizia ter um “plano perfeito” e chegou a afirmar que mataria também a bebê porque estava de “saco cheio”. O ex-colega contou que ninguém acreditava que João realmente seria capaz de cometer o crime.

Mais cedo, a irmã de Vanessa também foi ouvida no plenário e descreveu o relacionamento do casal como aparentemente normal no início, mas marcado por comportamentos controladores. Ela afirmou que João exigia chegar em casa e encontrar “bolo e café quentinho”, enquanto Vanessa se esforçava para aprender a cozinhar para agradá-lo.

O julgamento segue no Fórum de Campo Grande.