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Pertences de internos teriam sido danificados durante operação na Máxima: 'pura maldade'
Familiares detalharam que cobertores teriam sido molhados, mesmo diante do frio que atinge a cidade nos últimos dias
Familiares de detentos da Penitenciária de Segurança Máxima de Campo Grande denunciam que pertences pessoais dos internos foram danificados durante a operação realizada no último dia 8 de junho, na unidade prisional localizada no Jardim Noroeste.
Familiar de um dos presos procurou o TopMídiaNews, pedindo sigilo sobre sua identificação, detalhando que roupas, cobertores e outros objetos teriam sido molhados, rasgados e extraviados durante as revistas realizadas no primeiro dia da ação.
"Durante a operação, sem necessidade alguma, a polícia molhou, extraviou e rasgou os pertences dos internos. Eles já estão lá pagando pelos seus delitos. Não tinha necessidade de ficarem sem roupa de frio e sem cobertor, pois tudo o que eles tinham foi danificado por pura maldade", afirmou.
A denunciante contou ainda que presenciou a situação durante uma visita ao presídio e disse que os danos atingiram diversos detentos, incluindo seu familiar.
"Todos eles tiveram os pertences danificados", relatou. Ela afirma ainda que, após a operação, os familiares não conseguiram repor os itens perdidos porque a unidade alterou o cronograma para entrega de pertences aos presos.
"Ainda não conseguimos levar cobertas novas porque mudaram a data de entrega de pertences", disse.
A situação preocupa as famílias diante da queda nas temperaturas registrada em Mato Grosso do Sul nos últimos dias com a chegada de várias frentes frias.
Operação federal
A ação ocorreu na segunda-feira (8) e mobilizou helicópteros, policiais penais estaduais e integrantes da Força Penal Nacional, chamando a atenção de moradores da região, que chegaram a suspeitar de uma tentativa de fuga em massa.
Na ocasião, a Agenpen (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário) informou que a movimentação fazia parte da implementação do PSM (Projeto Padrão Segurança Máxima), iniciativa coordenada pela Senappen (Secretaria Nacional de Políticas Penais) para reforçar o combate ao crime organizado dentro dos presídios brasileiros.
Segundo a Agepen, durante a operação foram executados protocolos de segurança, incluindo revistas, movimentação de internos, controle de acessos e outros procedimentos operacionais. Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado escolhido para receber a implantação prática do programa.
Denúncia aos Direitos Humanos
A familiar informou que a situação já foi levada ao conhecimento dos órgãos competentes. "Já foi denunciado para os Direitos Humanos e estou aguardando uma resposta deles também", afirmou.
Ela ressalta que não questiona a realização das revistas, mas a forma como os pertences teriam sido tratados durante a operação.
"Eles não deixaram de ser seres humanos só porque estão presos. Eles têm família e já estão pagando pelos crimes que cometeram", disse.
Por meio de nota, a Agepen detalhou que os procedimentos de revista seguem “protocolos dentro do padrão de segurança da operação, sendo utilizados equipamentos tecnológicos para evitar danos aos objetos”.
Além disso, a mudança da data foi alterada por conta da operação, para evitar riscos os familiares e também aos servidores que estavam atuando na ação.
“A mudança foi previamente avisada pelos canais oficiais da Agepen e na entrada da unidade. Por ser um presídio, protocolos de segurança são necessários”, detalhou.
Caso haja reclamação a respeito das revistas ou qualquer outro problema, é necessário fazer reclamação no setor de Ouvidoria da penitenciária.