Política

há 2 horas

Em tom 'cauteloso', vereadores defendem operação contra compra de votos em Campo Grande

A investigação da Polícia Federal coloca a atual prefeita no centro do esquema criminoso

20/06/2026 às 14:11 | Atualizado 20/06/2026 às 13:26 Brenda Souza
Arquivo TopMídiaNews/André de Abre e Berlim Caldeirão

A operação da Polícia Federal que investiga um suposto esquema de compra de votos nas eleições municipais de 2024 em Campo Grande repercutiu entre vereadores da Capital nesta sexta-feira (19).

Parlamentares ouvidos pela reportagem defenderam que as investigações sejam conduzidas até o fim e que eventuais responsáveis sejam responsabilizados, caso as irregularidades sejam comprovadas.

O vereador Juari afirmou que a atuação da Justiça deve seguir seu curso e destacou que é preciso aguardar o andamento do processo.

"A Justiça tem que fazer o papel dela. Cada um responde em sua proporção devida. Como não está transitado em julgado, aguardamos a posição das autoridades competentes", declarou.

Já o vereador Jamal Salem disse que considera natural a investigação diante das suspeitas levantadas. "Normal. "Porque, se tiver alguma suspeita, deve investigar", resumiu.

O vereador Riverton afirmou que ainda acompanha as informações divulgadas sobre a operação e evitou fazer avaliações antes de conhecer os detalhes do inquérito.

"Ainda não vi todos os autos para poder me pronunciar de forma mais concreta. A investigação está sendo acompanhada pelos órgãos de Justiça, e a gente não pode ir além daquilo que ainda não tem certeza", disse.

Para o vereador Lívio Viana, o mais importante é que os fatos sejam esclarecidos. "Espero que tudo seja investigado e os responsáveis comprovados sejam punidos", afirmou.

Operação Suffragium

A Polícia Federal cumpriu, na manhã desta sexta-feira (19), sete mandados de busca e apreensão em Campo Grande e Taquarussu durante a Operação Suffragium, autorizados pelo Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS).

Segundo as investigações, foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas próximas aos dois turnos das eleições municipais de 2024, incluindo saques em dinheiro, transferências fracionadas via Pix e movimentação de recursos por meio de contas de terceiros.

De acordo com a PF, há suspeita de que os valores tenham sido utilizados para compra de votos. Os fatos apurados podem configurar os crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral, o chamado caixa dois. O inquérito tramita sob sigilo.

A operação ocorre após uma ação anterior que também apurou denúncias de compra de votos envolvendo a chapa da prefeita Adriane Lopes e da vice-prefeita Camilla Nascimento. Na ocasião, a Justiça Eleitoral reconheceu a existência de indícios de troca de dinheiro ou vantagens por votos, mas concluiu que não havia provas suficientes de que as integrantes da chapa tivessem conhecimento ou anuído com as supostas práticas, afastando a cassação.

Agora, a Polícia Federal busca aprofundar as investigações sobre o suposto esquema. Até o momento, não há decisão definitiva sobre eventual responsabilização dos investigados.