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Investigação aponta quatro núcleos em suposto esquema de compra de votos ligado a Adriane Lopes
Apuração identifica movimentações financeiras suspeitas, uso de PIX, contas de terceiros e distribuição de recursos às vésperas das eleições de 2024
Uma investigação em andamento apura a existência de uma suposta estrutura organizada voltada à captação ilícita de sufrágio durante as eleições municipais de 2024. Segundo os elementos reunidos até o momento, apurou o TopMídiaNews, o esquema teria sido dividido em quatro núcleos de atuação interligados e poderia ter favorecido integrantes do grupo político ligado à prefeita Adriane Lopes.
De acordo com a apuração, foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas, incluindo transferências sucessivas entre contas bancárias, fracionamento de valores por meio de operações via PIX e utilização de contas de terceiros para circulação de recursos em períodos próximos ao primeiro e ao segundo turno do pleito.
A estrutura investigada estaria dividida em quatro frentes de atuação. O primeiro núcleo, denominado de Comando Político ou Beneficiários Diretos, seria composto pelos supostos destinatários políticos do esquema e possíveis beneficiários eleitorais da captação ilícita de sufrágio. Apesar da suspeita, a investigação aponta que ainda não existem elementos individualizados suficientes para demonstrar participação direta dessas pessoas na execução dos pagamentos ou transferências analisadas.
O segundo grupo, identificado como Núcleo de Coordenação Institucional e Financeira, teria sido responsável pela organização e gerenciamento dos recursos empregados na operação. Conforme a hipótese investigativa, seus integrantes teriam atuado na movimentação e distribuição dos valores, utilizando mecanismos que poderiam dificultar o rastreamento da origem e do destino do dinheiro.
Já o Núcleo de Intermediadores Operacionais seria formado por pessoas encarregadas de executar a logística financeira da suposta estrutura. Os elementos reunidos indicariam atuação na pulverização dos recursos, realização de transferências para múltiplos destinatários e ligação entre os responsáveis financeiros e os executores da alegada compra de votos.
O quarto núcleo identificado seria composto pelos chamados Beneficiários Finais, apontados como os destinatários dos valores distribuídos no contexto investigado. Segundo a linha de apuração, esses recursos teriam sido utilizados para oferecer vantagens econômicas a eleitores em troca de apoio político.
Entre os mecanismos analisados pelos investigadores estão a utilização de contas bancárias de particulares, servidores públicos e empresas para circulação dos valores; transferências sucessivas entre diferentes contas; saques considerados indicativos de retirada coordenada de recursos; e pulverização de quantias por meio de diversas operações via PIX.
A investigação também aponta concentração temporal das movimentações financeiras nas proximidades do primeiro e do segundo turno das eleições municipais de 2024. Conforme a suspeita, o fracionamento dos valores e o uso de contas de passagem teriam sido estratégias utilizadas para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
Os elementos já reunidos apontam para uma possível engrenagem financeira destinada à distribuição de valores para fins eleitorais. A completa reconstrução da dinâmica operacional, no entanto, ainda depende da análise de dispositivos eletrônicos, registros contábeis, planilhas financeiras e demais documentos eventualmente apreendidos.