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'Ela está lutando pela vida', diz avô de bebê internada em estado grave com suspeita de maus-tratos
Criança de 3 meses deu entrada no hospital com múltiplas lesões e pais foram presos
A bebê de 3 meses que deu entrada no Hospital Regional, em Campo Grande, na última sexta-feira (19), em estado grave, com suspeita de espancamento e maus-tratos, segue sob cuidados médicos. Segundo a família, a criança está "lutando pela vida" e eles pedem orações para a recuperação e alta da menina.
Para o jornal TopMídiaNews, o avô materno da vítima, Ewerton Godoy, de 38 anos, informou que a ex-esposa e avó da criança, junto com uma tia, estão no hospital todos os dias desde o ocorrido. "Estamos em oração, para que ela sinta que estamos ali, firmes com ela", disse.
Ewerton também pediu por orações em postagem publicada em suas redes sociais. "Peço orações pela minha neta, para que Deus possa reverter o quadro em que ela se encontra e trazer cura, proteção e justiça. Que Deus esteja à frente de tudo, conduzindo a verdade, fortalecendo nossa família e cuidando da minha neta".
Ele ainda informou que fez um boletim de ocorrência acusando os bisavós da criança de negligência, já que todos moravam na mesma casa e poderiam ter feito algo. Além disso, ele reitera que, se a filha tiver envolvimento na possível situação de maus-tratos, é preciso que ela pague pelo crime.
"Não tenho informações, direito, sobre o que aconteceu. Terei acesso aos autos hoje. Sobre o pai, se ele encostou na minha neta, se bateu, terá que pagar. Se a minha filha fez o mesmo, os dois terão que pagar. Acho que minha filha está sendo coagida e ameaçada, e eles moram juntos com os avós do pai, na mesma casa. Se a minha filha está sendo presa, os avós dele também terão que ser presos, porque estavam os quatro na mesma casa. Por isso que já fiz o boletim de ocorrência contra eles. Todos terão que responder".
O caso
Um casal, de 18 e 20 anos, foi preso suspeito de maus-tratos contra a filha de 3 meses, no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. A bebê foi internada na última sexta-feira (19), no Hospital Regional, em estado grave.
Segundo informações repassadas pela equipe médica, a bebê apresentava um quadro de parada cardiorrespiratória supostamente relacionado à broncoaspiração durante amamentação. No entanto, durante a avaliação clínica, os profissionais identificaram múltiplas lesões pelo corpo da criança, incompatíveis com o relato inicial.
Foram constatadas equimoses e hematomas na região glútea, lesões circulares na área torácica e marcas nos membros inferiores, além de fraturas em costelas identificadas em exame de imagem.
A Polícia Militar foi acionada e esteve no hospital, onde ouviu os responsáveis pela criança. O pai, de 20 anos, e a mãe, de 18, apresentaram versões consideradas inconsistentes pelos policiais e pela equipe médica quanto à origem das lesões.
O homem disse que estava assistindo a uma partida de futebol com a filha no colo, quando notou que a criança teria ficado 'mole', momento em que buscou auxílio médico. Já a mãe alegou que havia notado as contusões no corpo da filha, mas que não havia conseguido levá-la ao médico por 'falta de condução'.
O caso foi encaminhado à Polícia Civil, que também realizou diligências no hospital e colheu depoimentos de familiares da criança. Segundo a apuração inicial, os relatos dos responsáveis não explicavam de forma coerente o conjunto das lesões identificadas.
No boletim de ocorrência consta que a criança não estava mais reagindo aos tratamentos e que apresentava um quadro evolutivo para morte encefálica.
Diante dos indícios reunidos, a autoridade policial determinou a prisão em flagrante dos dois responsáveis, que foram conduzidos para a delegacia. O Conselho Tutelar foi acionado para acompanhamento do caso, e a investigação segue em andamento para esclarecer as circunstâncias das agressões e eventuais responsabilidades.
A reportagem acompanha o caso.