há 3 horas
Construtora pivô de fraude milionária no asfalto muda de nome em Campo Grande
Empresa firmou contratos no valor de R$ 122 milhões
Construtora Rial LTDA, pivô de fraudes milionárias em contratos com a prefeitura de Campo Grande, trocou de nome, mas manteve o mesmo CNPJ, em Campo Grande. Tanto o proprietário quanto a empresa foram alvos da Operação ''Buraco sem Fim'', desencadeada pelo Gaeco e Gecoc, em maio deste ano.
O fato pode ser constatado na RedeSim, do governo federal. O órgão, conforme descrito na internet, é a Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios - e é o sistema oficial do governo que centraliza e agiliza a abertura, alteração e baixa de empresas no Brasil. Ela integra todos os órgãos necessários—como Receita Federal, Juntas Comerciais, prefeituras e Corpo de Bombeiros—permitindo realizar trâmites via internet com um único protocolo.
Ao pesquisar o CNPJ que consta em edições do Diário Oficial de Campo Grande – o Diogrande – na RedeSim, o nome que aparece já não é mais Rial e sim ''Força Engenharia LTDA'', situada em Mato Grosso do Sul. Em pesquisa pela internet, consta que a Força Engenharia LTDA existe apenas em Minas Gerais, Maranhão e Rio Grande do Sul.
Na pesquisa por nome ''Força Engenharia LTDA'' não consta nenhum contrato com o município em Diário Oficial de Campo Grande.
Sinistro
Chama a atenção o fato da mudança ter ocorrido cerca de um mês e meio após a deflagração da operação, na manhã de 12 de maio. O espaço está aberto para manifestação da empresa e seus representantes.
Empresa mudou de nome e manteve CNPJ (Foto: RedeSim)
Contratos
Conforme apurado pelo TopMídiaNews, no mesmo dia da operação, a Construtora Rial LTDA é especializada em obras de terraplenagem e pavimentação e firmou uma série de contratos e termos aditivos com a Prefeitura de Campo Grande desde janeiro de 2018, ainda durante o primeiro mandato de Marquinhos Trad.
A reportagem encontrou, no Portal da Transparência, quatro grandes lotes de manutenção viária, três deles assinados no mesmo mês de 2022. O maior deles é o Lote 001, da região do Anhanduizinho, no valor de R$ 52,1 milhões, firmado em agosto de 2022 para manutenção de pavimento asfáltico e recomposição de capa asfáltica.
Outro contrato de destaque é o Lote 004, da região do Imbirussu, assinado em julho de 2022, no valor de R$ 29,7 milhões, também voltado à manutenção asfáltica.No mesmo período, a empresa assinou o Lote 007, da região do Segredo, no valor de R$ 23,6 milhões.
Além dos contratos de tapa-buraco, a Rial também fechou, já em 2025, um contrato de R$ 16,5 milhões para manutenção de vias não pavimentadas em diversas regiões da Capital, incluindo Anhanduizinho, Bandeira, Imbirussu, Lagoa, Prosa e Segredo. Somados, os quatro contratos alcançam aproximadamente R$ 122 milhões entre os anos de 2018 e 2025.
Fraudes
Segundo o MPMS, a investigação identificou indícios da existência de uma organização criminosa responsável por fraudar medições de serviços de manutenção viária para viabilizar pagamentos indevidos com recursos públicos.
As apurações apontam que serviços pagos pela administração municipal não corresponderiam ao que efetivamente foi executado, o que teria provocado desvios de dinheiro público, enriquecimento ilícito dos investigados e prejuízos à qualidade das vias urbanas da Capital.
À época, sete mandados de prisão preventiva e 10 mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Investigadores encontraram ao menos R$ 429 mil em dinheiro vivo em endereços ligados aos alvos da operação.