Polícia

10/07/2026 17:31

Troca de medicação pode ter matado idosa de 93 anos em hospital particular de Campo Grande

Ela estaria tomando remédios de outra paciente, com o mesmo nome, o que teria agravado sua situação

10/07/2026 às 17:31 | Atualizado 11/07/2026 às 10:06 Brenda Souza
O falecimento foi confirmado na tarde de quarta-feira - Ascom Unimed

Uma idosa de 93 anos morreu durante a quarta-feira (8) depois de um possível erro na hora de ministrar os medicamentos dos pacientes no Hospital da Unimed, em Campo Grande.

Conforme as informações policiais, a mulher foi internada no dia 5 de julho após apresentar alteração de pressão e dores no peito, sendo a principal suspeita um infarto. Na ocasião, foram realizados três eletrocardiogramas e, posteriormente, uma cardiologista teria descartado a ocorrência de um ataque cardíaco. Ainda de acordo com o relato, por falta de vaga em apartamento, a paciente permaneceu na ala amarela da unidade.

A família informou à polícia que, no dia 6 de julho, algumas medicações prescritas, entre elas quetiapina e alprazolam, mas não teriam sido administradas no horário previsto. Após insistência de uma das netas da paciente, os medicamentos teriam sido aplicados por volta das 23h.

A idosa foi transferida para um apartamento durante a madrugada do dia 7 de julho. Na manhã seguinte, segundo os familiares, ela apresentou uma piora no quadro clínico, ficando pálida e apática. O boletim relata que a filha da paciente teria identificado que a medicação aplicada por via intravenosa seria uma bolsa de potássio com identificação de outra paciente, que teria o mesmo nome que a vítima.

Após o episódio, os familiares relataram que houve alteração nos batimentos cardíacos da idosa, que teriam oscilado entre 140 e 30 batimentos por minuto. Segundo o registro policial, a equipe de enfermagem teria retirado um equipamento do quarto, o que teria causado preocupação aos familiares.

No dia 8 de julho, uma médica teria informado à família que o estado de saúde da paciente era irreversível e que o óbito poderia ocorrer em poucas horas. Fato ocorrido na tarde de quarta-feira.

Diante da situação, os familiares procuraram a 3ª Delegacia de Polícia Civil, onde o caso foi registrado como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e deve apurar se houve falha no atendimento ou eventual erro durante a internação.

Por meio de nota, a Unimed Campo Grande detalhou que acompanha a situação para apuração dos fatos relatados por familiares as autoridades policiais. Confira:

"Informamos que a Unimed Campo Grande leva como seriedade a sua missão de promover saúde de seus beneficiários e repudia qualquer conduta que contrarie os princípios éticos, o respeito e a dignidade dos pacientes.

Reforçamos que, em respeito à privacidade e ao sigilo tanto de pacientes, como de seus familiares, a cooperativa não comenta casos individuais.

Por fim, informamos que a cooperativa foi oficialmente notificada sobre o boletim de ocorrência e o caso está sendo apurado pelos canais internos competentes, em conformidade com os protocolos e o regimento institucionais. Caso sejam constatadas irregularidades, serão adotadas as medidas administrativas cabíveis."

 

matéria atualizada às 10h06 de sábado (11), para acréscimo da nota encaminhada pela Unimed.