Política

há 1 hora

Ícone do rádio, deposto na prefeitura e assassinato; carreira de Bernal em três atos

Trajetória foi marcada por altos e baixos, até terminar em ''duas mortes''

13/07/2026 às 09:00 | Atualizado 13/07/2026 às 09:24 Thiago de Souza
Bernal foi sucesso no rádio sul-mato-grossense - Giuliano Lopes - ALM; Via Morena e Repórter Top

A carreira de Alcides Bernal – falecido nesta segunda-feira (13) aos 60 anos - foi marcada por acontecimentos polêmicos e fim trágico. De ícone da comunicação em MS até assassinato de um empresário por motivo banal, além, é claro, do impeachment na prefeitura. 

Comunicação 

Alcides de Jesus Peralta Bernal – de origem paraguaia – conquistou grande sucesso em uma rádio de MS. Tinha programa sertanejo raiz  - o ''Refazenda", e adquiriu muitos fãs na comunicação. Um dos auges de sua programação era a oração a Nossa Senhora Aparecida. O tom de voz empostado lhe rendeu o título de ''A Voz do Rádio''. 

Política 

Com grande popularidade, Bernal acabou tragado pela política. Foi vereador por dois mandatos em Campo Grande e, em 2010, eleito deputado estadual. Entrou para a disputa pelo Paço Municipal em 2012 na condição de desacreditado. Porém, venceu a eleição ante a um grupo político dominante, na condição de ''azarão''. 

Para os apoiadores, Alcides ''enfrentou o sistema'' ao questionar e anular contratos celebrados em administrações anteriores. Sofreu um processo de impeachment, mas voltou em 2015, após a deflagração da Operação Coffee Break. O então prefeito concluiu a gestão e disputou a reeleição, tendo ficado por poucos votos de ir ao segundo turno. Marquinhos Trad acabou vencendo o pleito, em 2016. 

O ex-prefeito da Capital disputou outras eleições e chegou a ser eleito deputado federal. Porém, teve os votos anulados por conta dos efeitos vigentes da cassação, que era a inelegibilidade por oito anos. 

Homicídio

Bernal voltou a advogar e administrar o patrimônio pessoal. Foi nessa seara que perdeu um imóvel na Rua Antônio Maria Coelho, no Jardim dos Estados, financiado pela Caixa Econômica Federal. A casa foi arrematada em leilão pelo empresário e servidor da Fazenda de MS, Roberto Carlos Mazzini. 

Inconformado com a perda do imóvel, Alcides emboscou Roberto Carlos quando este tomava posse da casa. O ex-prefeito atirou duas vezes e tirou a vida do empresário, que morreu no local. 

Cadeia

A Justiça foi severa com o ex-radialista, tendo negado habeas corpus ou mesmo prisão domiciliar. Por várias vezes, o advogado alegou doenças cardíacas, mas nenhum pedido teve êxito no Judiciário. O comunicador passou mal dentro da cadeia, foi internado, voltou à cela e novamente hospitalizado, até morrer na madrugada desta segunda-feira. 

Até o momento, somente o ex-secretário da gestão dele, Wilton Acosta, manifestou pesar pelo falecimento. Já os fãs relembram a fase de sucesso como comunicador.