há 1 hora
Editora da 'Madame da Gráfica' tinha até especialista para fugir de licitação em MS
Esse era o grande mote do esquema que fraudou R$ 27 milhões em vendas de livros
Gaeco viu estranheza em diversos contratos de vendas de livros didáticos sem licitação em MS. A investigação percebeu que esse era o modus operandi da quadrilha – chefiada pela dentista Rossana Paroschi Jafar - que fraudava compras públicas e contava com atuação de um especialista em licitações. Ou melhor, na dispensa delas.
Sem licitações, o negócio criminoso funcionava mais rápido. E a propina também. Embora a investigação do Gaeco ainda não tenha especificado valores dos livros vendidos, sem a concorrência, o preço do produto não seria necessariamente o mais barato.
Rossana é viúva de Micherd Jafar Júnior, dono de gráfica que foi investigada por fraude em compras públicas de livros e falecido em 2021. A Gráfica e Editora Alvorada LTDA sofreu uma devassa da Polícia Federal no âmbito da Operação Lama Asfáltica, nos idos de 2015.
Com a morte do ''patriarca'', Rossana – em tese - ordenou que a nora, Rhayane Fanaia, que atuava no ramo de brechó, abrisse a gráfica Avante, em São Bernardo do Campo (SP). A empresa ganhou dezenas contratos milionários, a maioria sem licitação. E isso chamou a atenção dos investigadores.
Dona de brechó virou ''laranja'' da sogra em editora (Foto: WhatsApp)
Especialista
A apuração também revelou que o advogado especialista em licitações, Gabriel Taquino de Paula, atuava junto de prefeituras a fim de ''vender'' os livros da Avante para as gestões. Ele, inclusive, fazia parte de um conselho que reunia 14 cidades de MS e tinha prerrogativa de emitir pareceres por licitações ou dispensa delas. Ivinhema é um município do grupo que pagou valor quase milionário para a editora.
Taquino, conforme mostra conversas de WhatsApp, negociava diretamente com prefeitos do interior, quando estes vinham para a Capital. Ele recebia tanta propina pelos contratos fraudulentos que brincou com a possibilidade de ''se aposentar''.
Gabriel atuava junto do coordenador da Regulação da Saúde de MS, Ed Carlo Burgatt. Este chantageava prefeitos e dizia abertamente que, caso não contratassem a editora, não teriam direito à regulação de pacientes dos municípios para hospitais regionais nem a exames.
O então chefe da Regulação responde: ''vou trancar [a regulação]... vou ligar pro prefeito... vou ajudar um monte de prefeito pra nada'', disse ao comparsa. Em outro trecho, Burgatt disse que iria ter reunião com o prefeito e iria emparedá-lo:
''Aí ele decide o que é melhor pra população dele. Saúde Zero'', disse o criminoso, recebendo do comparsa uma risada: ''kkk''.
Prisões
Ed Carlo Burgatt, Gabriel Taquino e Rossana Jafar foram presos junto a pelo menos outros nove envolvidos. A organização criminosa tinha diversos núcleos e contava com empresários, servidores públicos e comerciantes de diversos ramos de atividade, que recebiam parte da propina, a fim de despistar os órgãos de controle sobre a origem criminosa.
Veja também
- 'Viúva da Gráfica' virou chefona de ataque escancarado aos cofres públicos de MS
- Ex-chefão da Saúde e comparsa celebram propina em contrato: 'ali é aposentadoria'